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Basta de hipocrisia

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25/nov/97 (AER) ? Sob o título "Órgãos ambientalistas pedirão explicações sobre a obra do gasoduto Brasil-Bolívia", o O Globo de hoje relata alguns acontecimentos que bem demonstram o adiantado estado de atrofia, talvez por falta de uso, em que se encontram os cérebros de uma legião de pessoas que se dizem "ambientalistas". Como se sabe, para enterrar-se tubulações é necessário abrir-se valas, coisa que o homem vem fazendo pelo menos desde o neolítico, e o gasoduto Brasil-Bolívia não escapa à regra. A vala em questão mede 2,60 metros de largura por 1,40 metros de profundidade e 3.150 quilômetros de extensão, nada extraordinário. Iniciadas as escavações apareceram, inevitavelmente, rochas que precisam ser removidas e, como trata-se de região erma, o método mais simples é explodi-las. Era o que os ambientalistas de plantão esperavam para declarar histericamente que o uso de explosivos foi citado de forma "genérica" no Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) e que foram "enganados" pela Petrobrás, responsável pela obra. Foi suficiente que o Relatório confundisse o caimão (o jacaré do Pantanal) com o jacaré de papo-amarelo, inexistente na região, para rotulá-lo de "recheado de erros".

Armado o circo, emergiu o deputado federal Gilney Viana (PT-MT), presidente da Comissão de Defesa do Consumidor, Meio Ambiente e Minorias da Câmara de Deputados, que, segundo o Globo, poderá solicitar a interdição das obras, já pediu explicações ao ministro Gustavo Krause (Meio Ambiente) e, de quebra, convocou a Petrobrás para dar explicações sobre o uso de explosivos. Viana defende a criação de uma comissão externa para fiscalização da obra e, escudado em sua imunidade parlamentar, foi taxativo: "Este Relatório de Impacto Ambiental parece uma bula de remédio, que, com o intuito de enganar a sociedade, só fala de explosivos nas linhas minúsculas".

Já o curador de Meio Ambiente de Corumbá, Gilberto Robalinho - o mesmo que embargou as obras do canal Tamengo, fundamental para o acesso da Bolívia à Hidrovia Paraguai-Paraná - declarou-se surpreso com o uso de explosivos e disse que deverá entrar com uma ação civil pública para embargar os 123 quilômetros da obra que corta o Pantanal. A coordenação da campanha contra as obras do gasoduto ficou por conta de Alcides Farias, conhecido ativista a soldo da fundação norte-americana W. Alton Jones e um dos principais enlaces de organizações locais com o aparato ambientalista internacional.

É óbvio que todo este escândalo, que beira o irracional, deriva-se do axioma da "intocabilidade" do Pantanal, que vem sendo instilado na população em geral de acordo com as técnicas de lavagem cerebral desenvolvidas pelo Instituto Tavistock, de Londres. Explosões similares são feitas rotineiramente até em regiões urbanas de grande densidade populacional, sem grandes alardes, mas, no Pantanal, iriam perturbar o sono dos jacarés - perdão, caimões. A tese é tão ridícula que facilita a exposição das reais motivações do aparato ambientalista internacional, qual seja, a de impedir qualquer desenvolvimento econômico do hinternland sul-americano, de acordo com os interesses geopolíticos do Establishment britânico e seus aliados.

Já é hora de dar um basta a toda esta hipocrisia, da sociedade organizada erradicar estes quintacolunistas que atentam contra o interesse nacional sob o disfarce da defesa do meio ambiente. Milhares de pessoas anseiam por empregos que lhes garanta a sobrevivência e, quando surgem as oportunidades, vem o Partido dos Trabalhadores dizer, hipocritamente, que vai embargá-las em nome das bestas do Pantanal. Esta Comissão presidida pelo deputado Gilney Viana é a mesma que patrocinou o lançamento no Brasil e nos Estados Unidos, em agosto último, do Relatório elaborado por 11 magníficos do aparato ambientalista internacional contra a Hidrovia Paraguai-Paraná, financiado com o dinheiro das fundações Rockefeller, C.S. Mott e W. Alton Jones e com a participação ostensiva da ONG Environmental Defense Fund (EDF), notória por ter entre seus dirigentes ex-altos funcionários de carreira do Departamento de Estado norte-americano e mesmo da CIA. É também esta Comissão que tenta impedir uma vez mais as obras da Hidrelétrica Serra da Mesa (ver nota seguinte).

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