ONG 'chapa branca' européia ataca biocombustível da América Latina
22/mai/08 (AER) – São bastante conhecidas as investidas de setores da União Européia para desmerecer os chamados biocombustíveis – principalmente o etanol – produzidos no Brasil. As acusações européias vão desde a ‘devastação da Amazônia’, passam pelo ‘trabalho escravo’ e, a mais recente, é a de ‘roubar’ áreas de plantação de grãos. Declarações deste tipo vindas de autoridades graduadas da UE têm irritado seus colegas brasileiros e até mesmo o presidente Lula que, em um desabafo desairoso, classificou-as de ‘sacanagem pura’.
Também é do conhecimento geral que os biocombustíveis produzidos na Europa não têm como competir com os produzidos por aqui, questão sensível ao se considerar a proposta em discussão pela Comissão Européia de, até 2020, tornar obrigatório que 10% dos combustíveis utilizados para transporte nos países-membros procedam de biocombustíveis. Assim, está em jogo não apenas o milionário mercado de biocombustíveis na Europa como também os escandalosos subsídios concedidos aos seus produtores.
Em tal cenário, surge a Friends of the Earth (Amigos da Terra), ONG multinacional sediada na Holanda, lançando um pesado ataque a vários grandes bancos europeus não por suas práticas usurárias, mas por financiar uma rápida expansão da produção de biocombustíveis
a América Latina. [1]
Em seu comunicado, a ONG exigiu que esses bancos ponham fim a seus investimentos em "todos os projetos prejudiciais" que estejam em funcionamento na América Latina. São citados nominalmente os bancos Barclays, Deutsche Bank, HSBC, UBS, Credit Suisse e BNP Paribas, que estão investindo "bilhões de euros na produção e venda de cana-de-açúcar, soja e óleo de palma nos países da América Latina".
A acusação é que tais atividades estão levando à destruição da Amazônia e de outros valiosos ecossistemas, assim como à contaminação de água potável em países como Brasil, Argentina, Paraguai e Colômbia. "Os biocombustíveis estão florescendo e os bancos buscam maiores lucros, enquanto milhões de pessoas sofrem com a falta de alimentos e o meio ambiente está sendo destruído", diz na nota o porta-voz da Amigos da Terra, Paul de Clerck.
Uma análise do balanço financeiro da Friends of the Earth de 2006 revela que, dos 2,8 milhões de euros reebidos naquele ano, cerca de 2,1 milhões – 75% - vieram de ‘doações’ de entidades governamentais, ‘quase-governamentais’, fundações ‘filantrópicas’ e outras rubricas obscuras.
Em resumo, trata-se de uma ONG ‘chapa branca’ diretamente vinculada a poderosos interesses empresariais europeus.
Notas:
[1]European Banks Financing Damaging Agrofuels in Latin America, Friends of the Earth, 19/05/2008
[2]Financial Report 2006, Friends of the Aerth International, 21/05/2007



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