Hidrelétricas: a intolerável síndrome do 'fio d´água'
24/set/08 (Alerta em Rede) – Nos próximos dias, a Eletrobrás deve apresentar ao Ministério de Minas e Energia um projeto de aproveitamento hidrelétrico do rio Tapajós que prevê a construção de cinco usinas com capacidade total de 10 mil MW nominais. [1]
Segundo o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, o já chamado Complexo Tapajós deverá ser leiloado em três anos, no mínimo, e prevê investimentos de R$ 31 bilhões. Se a energia do Complexo Tapajós fosse vendida hoje, o preço médio do megawatt médio giraria em torno de R$ 65.
Contudo, no inventário de Tapajós foi possível identificar um potencial de 14 mil MW, mas a Eletrobrás optou por excluir o eventual alagamento de áreas indígenas e de reservas ambientais, como o parque nacional da Amazônia. Como conseqüência, as hidrelétricas do Tapajós propostas não terão reservatórios, ou seja, serão a fio d´água. Em outras palavras, a Eletrobrás está abdicando de uma das maiores vantagens de uma hidrelétrica – a de estocar energia em forma líquida – para não assumir o ônus político de enfrentar o aparato ambientalista-indigenista.
Ainda mais absurda foi a ‘compensação’ enunciada pelo presidente da Eletrobrás, José Antônio Muniz, que a complementação da energia não gerada ou estocada em hidrelétricas na Amazônia poderia ser feita por usinas eólicas! Ou seja, o instável regime do ‘fio d´água’ seria complementado por outro ainda mais volátil, o do ‘fio de vento’.
Aceitar a síndrome do ‘fio d’água’ para os aproveitamentos hidrelétricos na Amazônia significa vergar-se ao ambientalismo-indigenismo neocolonial e privar a sociedade brasileira de um bem soberano.
Notas:
[1]Usinas do Tapajós já têm projeto, Valor, 24/09/2008



del.icio.us
Digg
O impacto dos alagamentos tem que ter uma vantagem: por exemplo, a baixa emissão de gases estufa. Se isso não ocorre, não faz sentido.
Sobre as fontes eólicas, são um pouco diferentes das a fio d'água, pois o fluxo de vento varia muito ao longo do dia mas, na média, é o mesmo durante todo o ano. No segundo caso há um problema de sazonalidade: numa estação há abundância, em outra não.
Apenas a título de ilustração, há estados alemães onde 40% da energia consumida vem de fontes eólicas!
Uma só turbina pode gerar 8MW e devido ao enorme momento de inércia, elas não sofrem influência de pequenas variações no fluxo. Se o vento cessa, elas podem girar por muito tempo somente com a energia armazenada. Assim, há uma chance de que o fluxo retorne antes de que ela pare de girar.
É a energia mais suja que pode existir! Nem Chernobyl fez o estrago de Itaipu!
Queimar carvão em plantas modernas não poluentes acaba sendo mais limpo, se consideramos as perspectivas de sequestro de carbono. O melhor seria destinar essas areas que seriam alagadas para formar reservatorios a planos de manejo florestal, queimando lenha em termoeletricas. junto com energia nuclear e outras fontes menores.
Precisamos repensar esse mito de que hidreletricidade é energia limpa!
PREZADO HUGO,
VOCÊ ESTÁ ESQUECENDO QUE O XINGU, TAPAJÓS E O PRÓPRIO MADEIRA, A MONTANTE DAS ATUAS USINAS EM CONSTRÇÃO, APRESENTAM DESNÍVEIS MAIS QUE CONSIDERÁVEIS PARA A FORMAÇÃO DE GRANDES RESERVATÓRIOS.
EDITOR
Vou elencar algumas perguntas e inserir alguns comentários entre elas.
A china está "100%" errada em sua politica voltada para o desenvolvimento?
Se o EUA esta na vanguarda em todos os setores e o ambientalismo também é vanguarda, porque o EUA boicotou KIOTO e COPENHAGEN?
A china cresce hoje a 9% e o brasil já experimentou esse ritmo de crescimento na década de 70,mesmo que de forma artificial, devido a um severo processo de endividamento sem lastro.
O ambientalismo deve ser tratado como ciência e não de forma dogmática como uma religião, com a passionalidade um extremista religioso.
será que a hidrelétrica de três gargantas seria aprovada,caso o projeto fosse executado no brasil hoje?
Não precisamos ir tão longe, Itaipu seria aprovada hoje?
Há alguma duvida sobre a importância de Itaipu na matriz energética atual?
E outras mega obras que só acontecem na China ou em Dubai teria como aprova-las com alguma celeridade no brasil?
Temos e que desenvolver uma formula para extrair o melhor de cada caso,para que as ações sejam pautadas pelo conhecimento técnico e cientifico, sem desfraldar nenhum tipo de bandeira,quer seja do ambientalismo ou progressista.
Aprender tanto com os nossos erros quanto com os dos outros países.
Procurei no google-earth e não encontrei nenhum local elevado que permita reservatório a não ser no Madeira dentro da bolívia. Concordo com o eugenio de que é inútil procurar reserva´torios em região de planicie alagada. Está lá nos velhos compendios do seculo 18/19. Mas somos obrigados a reconhecer que foi graças a intervenão dos ambientalista e dos indios que os reservatórios do Madeira e de Belo Monte foram reduzidos e assim permitir um custo razoável para os empreendimentos. Não constituiu nenhuma surpreza (71 R$/mwhora e 78) , nem será surpreza uma oferta para B Monte dessa órdem quando finalmente licitado. Belo Monte é muito inferior a Itaipu como usina de fio dágua e foz. Mas dá prestígio a políticos. Parece que estão com saudades dos feitos da ditadura. Só, por enquanto.
Gostaria muito que você nos contasse então uma maneira de convencer a Marina Silva, o MAB, o Greenpeace, o WWF, o FBOMS, o Conselho Indigenista Missionário, a Amazon Watch, o International Rivers Network, o Friends of the Earth, a Fundação Heinrich Böll, a blogueira Telma Monteiro, o Dr. Célio Bermann da USP, o Dr. Osvaldo Sevá da Unicamp, o Dr. Philip Fearnside do INPA,, os procuradores e promotores do Ministério Público e o cantor Sting de que é perfeitamente aceitável construir usinas hidrelétricas a fio d'água na Amazônia, de que é possível uma solução de consenso com menor custo ambiental e econômicos e de que nos novos estudos prevalece o bom senso.
Se você conseguir fazer isso, então eu posso passar a acreditar que ambientalistas não são idealistas nem contrários ao progresso, que não existe um conflito entre esses primeiros e aqueles que querem o progresso de nosso país, e que isso é na verdade um falso dilema.
Abraço.
BELO MONTE: SER OU SER?
Há mais coisas no ar do que os aviões de carreira.
Aporelli.
A licitação da Usina de Belo Monte, na foz do Rio Xingu, mostrará surpresas e controvérsias ainda maiores do que as recém-licitadas usinas do Rio Madeira. Não há como permanecer indiferente ao “Belo Monte de surpresas” que constitui o lançamento do megaevento, prometido para o final do ano. Guardadas as devidas proporções, é comparável — em termos de marketing político — ao lançamento do Pré-sal. Não é para menos: um dos raros potenciais de grande altura da região Amazônica com potência projetada do porte da Usina de Itaipu, que tambem é uma usina de foz e de fio d’água. Em comum as grandes vazões e alturas de queda Os números impressionam: grande altura e grandes vazões (90 metros de 25000 m³/segundo). Mas as semelhanças param por aí: Uma está no Sudeste e a outra na Amazônia, de pouca produção energética. A coincidência com outro evento das mudanças climáticas não poderia ser mais feliz por permitir uma oportunidade de marcar presença no cenário político internacional.
“Por traz do Belo Monte” se esconde uma fauna exótica de políticos, lobistas, marqueteiros, governadores, senadores, entre os quais nossa sumidade em matéria de energia, Lobão (o outro é claro!). O evento extrapola o genuíno interesse de ambientalistas, técnicos, mineradoras e produtores de alumínio, tendo em vista os elevados interesses políticos e econômicos que o evento propicia como véspera de ano eleitoral. De nossa parte, temos fundadas esperanças de seja a grande oportunidade de rever a estratégia seguida até aqui, nos rumos do planejamento energético e mineral. A quem interessa Belo Monte?
Como o assunto continua em pauta, embora tardiamente, estou enviando comentário sobre o trecho seu artigo reproduzido abaixo:
“Em outras palavras, a Eletrobrás está abdicando de uma das maiores vantagens de uma hidrelétrica – a de estocar energia em forma líquida – para não assumir o ônus político de enfrentar o aparato ambientalista-indigenista.”
Comentário:
Compreendo que seja uma parada enfrentar o aparato ambientalista-indigenista, mas a Eletrobrás não está abdicando de nenhuma vantagem, simplesmente não tem alternativa. Tambem não precisava dizer — num claro pedido de desculpa — que optava por usinas de fio d’água, desistindo dos reservatórios. Tecnicamente é impossível a construção de reservatórios significativos em potenciais daquela altura útil, situados em região de planície de pequena altitude. Se fossem construídos, não teriam qualquer significado em termos de constituição de estoque de energia, nem seriam capazes de regularizar a vazão das próprias usinas e de quaisquer outras a jusante no Rio Tapajós e os ínfimos estoques de energia não teriam reflexo algum sobre potenciais de outras bacias.
Hugo Siqueira av Oscar Ornelas 157 cabo verde MG
Confesso que não sei como convencer os ambientalistas citados nem os desenvolvimentistas posto que sejam posicionamentos ideológicos sobre os quais não há como discutir de forma objetiva. Ambos se dizem do lado do bem: os primeiros, defensores da natureza, os outros defensores do povo. Outro obstáculo à análise da questão é a tendência de colocá-la em termos de bem ou de mal — agir como se pessoas más e perversas estivessem destruindo a natureza por pura ruindade ou pessoas bem situadas estivessem impedindo a melhora das condições de vida dos menos afortunados. Que o problema seja de motivos, que aqueles que são nobres entre nós se levantassem em fúria para subjugar os maus, tudo ficaria bem. É sempre mais fácil vituperar contra pessoas do que se empenhar em trabalhos de árdua análise intelectual, pensar dói. Não há como argumentar objetivamente contra aqueles que crêem. É como discutir religião, uma questão de “foro íntimo”. Para aqueles que defendem posições ideológicas a fé lhes basta. No caso específico dos reservatórios da Amazônia, Independente dos desejos de cada um, o fato objetivo é que as usinas do Madeira e Belo Monte têm reservatórios ridículos pela simples e boa razão de que eles são tecnicamente impossíveis ou inúteis( tambem os do Tapajós e Xingu. O último reservatório de regularização plurianual é Serra da Mesa nas cabeceiras do Tocantins, não propriamente na região Amazonica. Foi construído por Furnas, a mesma rande empresa que que construiu os outros: Furnas e Itumbiara.É um absurdo pretender regularizar os potenciais dos rios amazônicos.
Dizem que o Brasil tem 80% de seu potencial ainda inexplorado na Região Amazônica, mas esta é uma crença que a realidade do campo gravitacional não comprova: o que relevo mostra realmente é uma região pobre de recursos energéticos e alguém precisa desfazer este mito. Brasileiros, de modo geral, gostam de acreditar que o Brasil seja “um país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza” e outras tantas bobagens que impedem uma visão mais objetiva dos fatos.
A discussão sobre o aproveitamento dos recursos naturais da Amazônia vem ocorrendo em um nível bastante rudimentar, dominado mais pela emoção do que pela razão. Deus sabe quanto é difícil argumentar logicamente com aqueles que professam convicções ideológicas. Ambos proclamam ser do lado do bem: ambientalistas se atribuíram o dever messiânico de salvar o mundo; desenvolvimentistas, que se intitulam a si próprios de progressistas e proclamam ser defensores dos fracos e oprimidos. Fica muito difícil discutir seriamente um assunto tão importante num ambiente político como esse.
Se tiver paciência de esperar, proximamente apresento melhor argumentação. De minha parte, tenho todo o tempo do mundo.
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