Taxação do setor elétrico por "efeito estufa" é manobra geopolítica
28/fev/09 (Alerta em Rede) – A julgar pelo aviso dado pela secretária de Mudanças Climáticas e Qualidade Ambiental, Suzana Kahn, o Ministério do Meio Ambiente se prepara para criar mecanismos visando a taxação do setor elétrico nacional por supostas emissões de carbono. [1]
Khan deu o recado dia 18 passado durante audiência pública promovida pelas câmaras de Meio Ambiente e Patrimônio Cultural e Índios e Minorias, para discutir o atual Plano Decenal de Expansão de Energia.
Segundo Khan, a geração elétrica das usinas termo e hidrelétricas não embutem o “custo ambiental”, o que as torna mais competitivas que as fontes “limpas”, leia-se eólicas, solar e adjacentes. A taxação mudaria a competitividade das fontes de energia, analisou ela.
Dentre os volúveis ‘custos ambientais’ se encontram, certamente, os gases de efeito estufa eventualmente emitidos pelas hidrelétricas, com destaque para o “poderoso” metano. Consolidados os obstáculos "socioambientais" tradicionais que vêm postergando a construção de hidrelétricas na Amazônia, o aparato ambientalista internacional desfralda agora a bandeira do "efeito estufa", mesmo com ralos argumentos científicos para tal, como um novo elemento para cercear ainda mais o aproveitamento do nosso fantástico potencial hidroelétrico. Como explicou o insuspeito Luiz Pinguelli Rosa, professor da Coppe e um dos principais gurus da tese do aquecimento global no Brasil, medições feitas pela entidade revelam que, em 97% da capacidade instalada de usinas hidrelétricas estudadas, incluindo Tucuruí, as emissões de metano, com estimativa de 'degassing', contribuem muito menos, em alguns casos com um centésimo do que uma termelétrica contribui. [2]
Com o atraso na construção de hidrelétricas por questões socioambientais tradicionais ainda não resolvidas, a óbvia alternativa econtrada pela EPE foi incluir mais térmicas na geração da eletricidade requerida pelo País. Nesse momento, levanta-se o aparato ambientalista internacional exigindo uma taxação pelo futuro aumento na emissão de gases do efeito estufa, cujo objetivo estratégico não é, como propala, “limpar” a matriz elétrica brasileira, mas torná-la cada vez mais “cara” para tirar competitividade da economia nacional.
Contudo, a questão central não é se meter em discussões intermináveis sobre a procedência ou não da taxação das nossas termo ou hidrelétricas, mas questionar na base a própria hipótese – repetimos, hipótese – de um vindouro e catastrófico “aquecimento global” antropogênico.
Notas:
[1]Secretária de Mudanças Climáticas defende taxação do setor elétrico por emissões, Ministério do Meio Ambiente, 19/02/2009
[2]Painel dos Leitores, Folha de São Paulo, 19/02/2009



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