Home | Geral | A Agenda 21 e a Amazônia

A Agenda 21 e a Amazônia

Tamanho da fonte: Decrease font Enlarge font

30/jul/98 (AER) ? Está em curso no Brasil um projeto para a "compatibilização" do texto da Agenda 21 para a Amazônia. Para realizar a tarefa, o Ministério de Meio Ambiente contratou, com dinheiro do PNUMA, o Instituto Sociedade População e Natureza (ISPN) que designou Donald Sawyer como "coordenador executivo" do projeto.

Como a seguir demonstrado, a chamada Agenda 21 - e seus dogmas implícitos, como os propagandeados "desenvolvimento sustentável" e "capacidade de suporte" da Terra - representa o coroamento de um engenhoso estratagema de longo prazo articulado e financiado pela oligarquia anglo-americana para elevar a questão ambiental como um dos temas capitais para pautar as relações entre os países desenvolvidos e os em desenvolvimento. Esta oligarquia, composta em sua maioria por famílias da nobreza européia e seus clones norte-americanos, controla de 25 a 75% dos insumos minerais, energéticos e alimentícios essenciais para a vida moderna por intermédio de um amálgama de corporações empresariais e bancárias. Seu esquema de controle e pilhagem segue o tradicional modelo metrópole-colônia, como exemplificado pelo ex-Império Britânico, atualmente denominado Commonwealth, ou Comunidade Britânica.

Tal estratagema surgiu depois que o presidente norte-americano Franklin D. Roosevelt deixou claro, ao final da Segunda Guerra, que não permitiria a manutenção das colônias britânicas, francesas, holandesas, belgas e portuguesas após a derrota das potências do Eixo. Roosevelt, apesar de ter morrido prematuramente e ter sido sucedido pelo titubeante e manipulável Truman, deixou assentadas as bases para que, alguns anos depois, os britânicos se vissem forçados a deixar a Índia e a África, sendo esta última retirada caracterizada pelo famoso discurso do então primeiro-ministro britânico Harold Macmillan , proferido em fevereiro de 1960 em Cape Town, África do Sul, quando declarou que "o fortalecimento da consciência nacional" estava ocorrendo de formas diferentes mas em todos os lugares:

"O vento da mudança está soprando por todo o continente. Gostemos ou não deste crescimento da consciência nacional, é um fato político...Nossas [diretrizes] políticas nacionais terão de considerar isto".

Em realidade, sob o manto dos anunciados "ventos de mudanças" ocultava-se uma estratégia para manter o controle colonial sob outras formas. É no marco destas estratégias que situa-se o ambientalismo, inaugurado com os "parques naturais" africanos, geralmente plurinacionais e convenientemente localizados nos principais eixos de integração continental ou em ricas províncias minerais. Esta mesma estratégia foi adaptada e estendida para outros continentes, principalmente para a Ibero-América, onde a hegemonia britânica fôra interrompida por vários fatores a partir da década de 1930 e mais notadamente com o desfecho da Segunda Guerra Mundial, como mencionado.

Para operacionalizar sua estratégia ambientalista globalmente, a oligarquia britânica fundou em 1948 a União Internacional para a Conservação da Natureza, a UICN, e, em 1961, o Fundo Mundial para a Natureza (WWF, originalmente World Wildlife for Nature), criado pelo príncipe Philip para financiar as operações da UICN.

A Agenda 21 e o falacioso "desenvolvimento sustentável"
A Agenda 21 é um programa de ação adotado na Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a chamada Rio-92, realizada no Rio de Janeiro em junho de 1992, cujo objetivo oficial é estabelecer metas de "compatibilização" das atividades econômicas com requisitos de "proteção" do meio ambiente. Na realidade, a meta visada pelos mentores da Agenda é a consolidação do conceito de "desenvolvimento sustentado", a viga-mestra da ideologia ambientalista, com a qual os ideólogos do movimento pretendem concretizar seu objetivo maior: a elevação da "proteção ambiental" à condição de elemento central da organização social e econômica da Humanidade.

Os mentores da Agenda 21 estabeleceram uma pauta de diretrizes gerais que deverão ser aplicadas por todos os "governos, agências de desenvolvimento, organizações das Nações Unidas e grupos setoriais independentes em cada área onde a atividade (econômica) humana afeta o meio ambiente", segundo consta da Introdução do documento Agenda 21-Resumo, distribuído por ocasião da conferência Rio-92.
Caso seja implementada como pretendem os seus mentores, a Agenda 21 implicará na virtual subordinação dos critérios de desenvolvimento econômico às políticas de "proteção ambiental", tanto no âmbito local, quanto regional, nacional e até mesmo internacional.

A Agenda 21 representa o desdobramento de uma série de iniciativas da oligarquia anglo-americana que vêm sendo promovidas desde a década de 60, quando o Clube de Roma estabeleceu que "Há limites para o crescimento", passando pela Conferência de Estocolmo, em 1972, e culminando com a Rio-92. As primeiras tentativas de estabelecimento de uma legislação ambiental de alcance global surgiram no final da década de 70, quando o aparato ambientalista internacional tentou estender a todo o mundo as restrições impostas pela Agência de Proteção Ambiental dos EUA ao uso de clorofluorcarbonos (CFCs, refrigerantes químicos popularmente conhecidos como "freons") em aerossóis, pelo seu suposto efeito deletério sobre a camada de ozônio. Embora tenha fracassado na época, a ofensiva foi retomada em meados da década de 80, com a chamada Convenção de Viena, em 1985, em que um grupo de países - entre os quais o Brasil - concordou em estabelecer limitações aos CFCs, iniciativa que, mais tarde, resultaria no famigerado Protocolo de Montreal, que banirá todos os usos dos CFCs até 2005, atingindo mais duramente os países mais populosos do Terceiro Mundo pois incide diretamente na cadeia alimentar: China, Índia, Indonésia, Brasil e Nigéria.

Em 1983, a Assembléia-Geral das Nações Unidas determinou a criação da Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, que ficou conhecida como Comissão Brundtland, por ter sido presidida pela ex-primeira-ministra norueguesa Gro-Harlem Brundtland. Em 1987, a comissão apresentou o seu relatório "Nosso futuro comum", que foi editado sob a forma de livro em diversos idiomas. Todo o relatório foi concebido para introduzir e justificar o ardiloso dogma do "desenvolvimento sustentado", expressão redundante e flexível o suficiente para acomodar a interpretação que se pretenda. A interpretação predileta dos ambientalistas diz algo como "o atendimento das necessidades da geração presente sem comprometer a capacidade de as gerações futuras atenderem também às suas", uma nova roupagem para o secular enunciado do reverendo Thomas Malthus de que "as populações crescem em proporção geométrica e os recursos necessários em progressão aritmética", aliás, plagiado de Gianmaria Ortes. O relatório "Nosso futuro comum", transformado em bíblia pelos ambientalistas, é recheado de dogmas malthusianos cujo significado pode ser reduzido a este trecho: "A cada ano, aumenta o número de seres humanos, mas permanece finita a quantidade de recursos naturais destinado ao sustento dessa população...Um aumento populacional excessivo faz com que os frutos do desenvolvimento sejam repartidos por um número cada vez maior de pessoas, não permitindo que, em muitos países em desenvolvimento, os padrões de vida se elevem; é imperativo reduzir as atuais taxas de aumento populacional a fim de se atingir o desenvolvimento sustentado". Malthus não diria melhor.

Os ambientalistas, como todos os malthusianos, simplesmente "congelam" os avanços científicos e tecnológicos e fazem tenebrosas projeções lineares para "demonstrar" que os recursos naturais são finitos e, segundo a sua lógica, as populações é que têm que ser limitadas, preferencialmente as de pele mais escura. A própria caminhada da Humanidade demonstra exatamente o contrário: o aumento do custo do processo para a obtenção de determinado recurso natural estimula a capacidade criativa do homem para encontrar outro substituto que revela-se melhor que o anterior. Este processo de dominação e transformação da natureza em prol da Humanidade, conforme explicitado no Livro de Gênesis, é convenientemente subvertido pelos ambientalistas para "destruição" da natureza. Observe-se que em caso de estagnação científico-tecnológica, o esgotamento de recursos pode ocorrer até com uma população estacionária e mesmo declinante. Por isso, os ataques desfechados pelos ambientalistas contra o avanço científico em áreas de ponta, como a energia nuclear, constitui-se, este sim, um autêntico atentado contra as gerações futuras.

A Agenda 21 e a Amazônia
Como dissemos anteriormente, o objetivo primário do Establishment anglo-americano é continuar a manter o controle da produção e fluxo de matérias-primas essenciais. Para tanto, é preciso neutralizar o desenvolvimento econômico de vastas áreas potencialmente ricas, como a Amazônia, e garantir assim que seus recursos naturais não serão utilizados pelos nacionais, ou seja, ficarão "preservados" para serem oportunamente explorados de acordo com as conveniências estratégicas e mercadológicas do Establishment.

O primeiro passo para interditar estas áreas é a criação de gigantescos e intocáveis parques naturais, seguindo o modelo africano, obtido graças a uma massacrante campanha propagandística, cuidadosamente elaborada pelos especialistas do Instituto de Tavistock, de Londres, para convencer a opinião pública mundial que a Amazônia está ameaçada e que urge protegê-la da destruição promovida pelas irresponsáveis populações locais. Em paralelo, obstaculiza-se a implantação de projetos de infra-estrutura, sem os quais é impossível o desenvolvimento econômico, nominalmente porque irão destruir o meio ambiente e/ou violar territórios indígenas, ameaçando sua cultura que também deve ser preservada. Recorde-se que a "carta indígena" foi competentemente elaborada pela oligarquia anglo-americana que vislumbrou nos silvícolas o elemento ideal para balcanizar a Ibero-América aplicando a vasta experiência acumulada pela geopolítica britânica em promover o nacionalismo étnico-religioso para "dividir e imperar". A mensagem explícita da oligarquia anglo-americana ao elevar o indígena à condição de "guardião perfeito" das imensas áreas interditadas é que nelas só serão permitidas populações que vivam da caça e coleta, mantendo assim preservados seus estratégicos recursos naturais. Foi por meio da criação de parques naturais e reservas indígenas que foi interditada uma extensa e contínua área de fronteira, que vai de Roraima até a tríplice fronteira Brasil-Colômbia-Peru, inviabilizando, assim, a consecução do projeto Calha Norte. Mencione-se que a campanha internacional para a criação da Reserva Ianomâmi, dirigida pelo príncipe Philip, ganhou momento exatamente à época em que o projeto Calha Norte foi anunciado pelo governo brasileiro.

Tirando-se a Zona Franca de Manaus, talvez a única tentativa bem sucedida de industrialização do coração da Amazônia brasileira e que, diga-se de passagem, encontra-se ferida de morte, como competentemente demonstrado pelo professor Samuel Benchimol e outros, o recurso natural de considerável expressão econômica e de mais fácil acesso vem a ser a exploração madeireira. Para evitar que os benefícios auferidos com a exploração madeireira na Amazônia revertam para sua população, criando assim condições para alavancar seu desenvolvimento econômico que poderia, por sua vez, motivar um indesejável fluxo migratório para a região, como ocorrido no ciclo da borracha, o Establishment anglo-americano, por intermédio do WWF e da IUCN, institui a necessidade do chamado "selo verde" para estes produtos. Este selo verde só tem validade se for emitido pelo Forest Stewardship Council (FSC, Conselho de Manejo Florestal) ou seus credenciados.

O FSC foi criado em 1993 e é controlado por ONGs escolhidas a dedo pelo WWF e UICN. Em sua versão brasileira, o FSC é controlado, entre outros, pelo WWF-Brasil, Greenpeace, Funatura, Instituto Socioambiental (ISA), FASE, COIAB, GTA, a citada ISPN e o Imaflora, todas bem conhecidas dos leitores do Alerta Científico e Ambiental. Enquanto o FSC se estrutura no País, o Imaflora foi designada para exercer suas funções. Para que se tenha uma idéia do que é o Imaflora, basta citar o curriculum resumido de um de seus fundadores e membro de seu Conselho Diretor, André Junqueira Ayres Villas-Bôas: indigenista, trabalhou no Parque Indígena do Xingu (MT), nas áreas Ticuna do Solimões (AM) e Xavante (MT), como funcionário da FUNAI entre 1978 e 1985; foi chefe da Coordenadoria de Terras Indígenas do Ministério da Reforma e Desenvolvimento Agrário/MIRAD em 1986-87; coordenador geral do Cedi (antecessor do ISA), membro do Conselho Diretor da Fundação Mata Virgem; representou o ISA na Amazon Coalition entre 1996-97 e atualmente é coordenador do Programa Xingu do ISA. O Imaflora é filiado à UICN, de quem recebe fundos para suas atividades sob o contrato LA 5052 Brazil.

Contudo, uma das demonstrações mais claras que o aparato ambientalista internacional tenta impedir por todos os meios a exploração madeireira na Amazônia foi o boicote que moveu contra o projeto Flona Tapajós, plano piloto do IBAMA que previa a exploração privada de 5 mil hectares de área florestal. O assunto ganhou as páginas do The New York Times (21/julho/97), quando Tarso Resende de Azevedo, diretor-executivo do Imaflora, declarou que o projeto destruiria o ecossistema e deixou claro sua posição antidesenvolvimento: "Não é que a exploração da madeira em si seja danosa, mas é um vetor que traz rodovias, máquinas e gente, o que acabará transformando a área", disse. O projeto foi embargado judicialmente pelas ONGs por meio de uma liminar.

O objetivo do WWF de impedir o desenvolvimento econômico da Amazônia ficou ainda mais evidente ao exigir que nos 10% da área da região a ser transformada até o ano 2000 em reserva ambiental, compromisso assumido pelo presidente Fernando Henrique Cardoso com o príncipe Philip durante sua visita à Londres, em dezembro passado, seja vetada a presença humana. Contra isso estão insurgindo-se até mesmo as ONGs brasileiras, como o Grupo de Trabalhos Amazônicos (GTA), que defende a inclusão de reservas extrativistas e assento no conselho gestor do projeto, para o qual o Banco Mundial já garantiu o aporte de US$ 35 milhões dos US$ 150 milhões previstos para sua implantação.

Enquanto isso, as empresas madeireiras da região são tratadas como criminosas. Excluindo-se os madeireiros que efetivamente degradam as florestas em busca do lucro fácil, a maioria do setor compreende e quer cumprir com as exigências legais existentes que são reconhecidamente restritivas e de difícil cumprimento, principalmente devido ao desaparelhamento do IBAMA que demora meses para autorizar um plano de exploração e similares.

Poderíamos descrever ainda inúmeros outros predicados para demonstrar que o objetivo atávico da oligarquia anglo-americana é impedir o desenvolvimento econômico da Amazônia mas, parodiando Kepler, bastam três pontos da órbita terrestre para determinar toda a sua curvatura com precisão.

Adicionar para: Add to your del.icio.us del.icio.us | Digg this story Digg

Comentários (1 postado):

thais on 18 March, 2009 13:27
avatar
sem coments pra todas
0

Poste seu comentário comment

Entre o código que você vê na imagem:

  • email Compartilhar
  • print Versão p/ impressão
  • Plain text Texto