ONGs coordenam evento indígena internacional
5/out/97 (AER) ? Em fins de agosto passado, realizou-se
O evento não apenas foi coordenado como contou com a participação de ONGs de abrangência internacional que promovem a criação de nações indígenas autônomas onde os países em que localizam-se seus territórios exerceriam uma "soberania limitada", primeiro estágio para uma futura independência. Dentre estas ONGs, destacam-se o World Resources Institute (WRI), o Environmental Defense Fund (EDF), o Conselho Indigenista Missionário (CIMI), o Instituto Socioambiental (ISA) e a Comissão Pró-Yanomâmi. Os promotores do evento foram o Conselho de Indígenas de Roraima, a Coordenação Nacional Indígena da Venezuela e a Associação dos Povos Ameríndios.
Uma das principais conclusões do encontro foi, como de hábito, a constatação de que não houve ainda uma ruptura no processo colonizador dos Estados nacionais de integrar e assimilar as comunidades indígenas às sociedades não-indígenas. Foram tomadas algumas deliberações sobre mineração baseadas na alegação de praxe, qual seja, a necessidade de preservação das culturas e terras indígenas, cujo real objetivo é efetivamente preservar, só que as riquíssimas jazidas minerais comprovadamente existentes nas reservas indígenas da região. Para tanto, foram propostas algumas medidas de curto, médio e longo prazo, entre as quais a promoção de conferências e outras ações internacionais para pressionarem os governos e até a criação de um fundo para o financiamento de atividades indígenas.
Como temos repetidamente reportado, o EDF, o ISA e o CIMI têm-se notabilizado por suas ações contra obras de infra-estrutura fundamentais para o desenvolvimento econômico interior da América do Sul, principalmente do Cerrado brasileiro, como as Hidrovias Paraguai-Paraná e Araguaia-Tocantins.
Entretanto, o que mais chamou a atenção neste evento foi a participação do World Resources Institute (WRI), principal "banco de cérebros" dos grupos ambientalistas norte-americanos e seu enlace com as agências de inteligência anglo-americanas. Foi fundado em 1982 sob a tutela de Russell E. Train, presidente da WWF nos Estados Unidos, com financiamento do Rockefeller Brothers Fund e da MacArthur Foundation. Seu primeiro presidente foi James "Gus" Speth, conhecido ambientalista radical, co-fundador da Natural Resources Defense Council, ex-presidente do Conselho de Qualidade Ambiental dos Estados Unidos e diretor do famoso projeto Global 2000, do governo Carter. Após presidir o WRI por onze anos, em 1993, Speth passou a presidir o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Em junho de 1995, representantes da Rios Vivos, entre os quais seu coordenador, Glenn Switkes, da International Rivers Network, reuniram-se com Speth para reclamar que o PNUD "enquanto oficialmente endossa o desenvolvimento sustentável, na prática está excluindo a sociedade civil das discussões", referindo-se à questão da Hidrovia Paraguai-Paraná.
O atual presidente do Conselho de Diretores do WRI é o indefectível Maurice Strong, atual assessor do presidente do Banco Mundial. São também diretores do WRI, entre outros, o citado "Gus" Speth; Thomas Lovejoy, que foi durante anos o principal consultor do WWF para assuntos brasileiros; Robert S. McNamara, ex-presidente da Ford Foundation, ex-presidente do Banco Mundial e ex-Secretário de Defesa dos EUA; Bruce Smart, ex-Subsecretário de Comércio dos EUA; e Paulo Nogueira Neto, ex-presidente por mais de dez anos da SEMA (Secretaria Especial de Meio ambiente, precursora do Ministério do Meio Ambiente), membro da Comissão Brundtland e atualmente Professor Titular do Departamento de Ecologia da USP.
O WRI tem sido um dos principais impulsores da idéia de criar impostos "anti-poluição" e da contabilização compulsória do que denomina "custos de esgotamento" de recursos naturais, como os florestais. Sob tal ótica, o "custo ambiental" de uma árvore, por exemplo, seria de tal monta que mais valeria guardá-la como uma relíquia preciosa do que utilizá-la na cerca de casa.



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