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Nobreza européia fomenta 'etnoseparatismo' na Amazônia

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1/ago/07 (AER) - Semana passada, representantes de organizações indígenas do Brasil, Colômbia e Venezuela reuniram-se durante três dias em São Gabriel da Cachoeira (AM) para discutir questões comuns envolvendo educação, saúde, autonomia e demarcação de 'territórios'. [1]

Realizado no marco da Cooperação e Aliança do Noroeste Amazônico - Canoa -, o encontro poderia ser enquadrado como 'rotineiro' não fossem seus patrocinadores duas ONGs de peso no indigenismo internacional: a Coama (Consolidación de la Amazonia, influente rede de ONGs colombianas) e o ISA (Instituto Socioambiental).

Para nossos leitores, o ISA dispensa comentários, mas não a Coama, cuja figura de proa é o antropólogo Martin von Hildebrand. Operando na selva amazônica colombiana desde meados dos anos 70, a importância de Hildebrand para o esquema indigenista-ambientalista na região pode ser aquilatada por sua nomeação como Oficial da 'Golden Ark', a mais alta comenda do governo holandês no campo da conservação ambiental e que lhe foi outorgada pessoalmente pelo já falecido príncipe Bernard, um dos fundadores do WWF. Hildebrand foi também agraciado com o Right Livelihood Award - considerado o 'Prêmio Nobel Alternativo de Ecologia' - concedido pela ONG Right Livelihood, ligada à nobreza sueca.[2]


O príncipe Bernard, da Holanda, cumprimenta Martin von Hildebrand por sua nomeação como Oficial da Ordem "Golden Ark? (Fonte: Coama)

De fato, a Coamaé um das principais operações montadas pela Gaia Foundation, de Londres, criação direta da família real britânica. Tanto a Gaia Amazônia quanto a Coama recebem financiamentos da Comissão Européia e dos governos da Áustria, Dinamarca, Suécia e Paises Baixos, além de instituições semi-governamentais como a Novib (Holanda) e Danida (Dinamarca). Recebem ainda 'cooperações' da Sociedade Sueca para a Conservação da Natureza (SSNC), World Conservation Union (UICN, comitê holandês), Fundação Heinrich Böll (Partido Verde alemão), Centro de Investigação para o Desenvolvimento Internacional (IDRC, agência canadense), Geo Magazine (Alemanha), Earth Love Fund (Inglaterra), Green Hares-Children for the Future (Suíça), The Sigrid Rausing Trust (Inglaterra) e Fundação Grassroots (Alemanha). Clique aqui para ver uma lista dos programas financiados por tão caridosas entidades (infelizmente, sem valores).

A 'operação Coama' tem a seguinte estrutura:

 

 


É relevante mencionar que a nova Constituição da Colômbia, ratificada em 1991, reconhece o direito dos indígenas de administrar seus territórios de forma autônoma, de desenvolver programas de autogoverno, bem como reconhece as Autoridades Tradicionais Indígenas como autoridades oficiais de caráter especial. Há dez anos, a COAMA vem desenvolvendo exatamente tais programas de autogoverno, principalmente na Amazônia colombiana, onde habitam mais de 80 mil indígenas distribuídos em 60 grupos etno-lingüísticos.

Veja-se os antecedentes da operação, segundo palavras da própria Gaia (grifos nossos):

Durante el gobierno del Presidente Virgilio Barco (1986-1990) y siendo Director de Asuntos Indígenas Martín von Hildebrand, el INCORA (Instituto Colombiano para la Reforma Agraria) constituyó resguardos sobre 13 millones de hectáreas de territorio indígena en los departamentos de Amazonas y Guainía, que sumados a los resguardos ya constituidos en Amazonas, Vaupés y Vichada, conforman un territorio continuo de 20 millones de hectáreas. Esta área corresponde a cerca de la mitad de la región amazónica colombiana, la cual está habitada por más de 80.000 indígenas. Por otra parte, a finales de los 80?s se establece el Convenio 169 de la OIT proveyendo un marco positivo para los derechos de los pueblos indígenas. En 1991, la nueva Constitución Política brinda amplios derechos a estos pueblos y establece una nueva división político-administrativa del país, en la cual los territorios indígenas son considerados Entidades Territoriales Indígenas -ETIs, comparables a municipios.

En el gobierno del Presidente Gaviria, Hildebrand es nombrado Secretario de Fronteras, posición que le permitió dirigir la atención de la cooperación internacional a la situación de la Amazonia Colombiana y a los derechos y al potencial de los Pueblos Indígenas, para el manejo de esta región de bosque tropical. La visión gubernamental no permitía un ágil acompañamiento o aproximación a las poblaciones indígenas y es así como surge la idea de iniciar un programa de apoyo desde el campo no ? gubernamental.

Con el propósito de consolidar en manos de los indígenas la administración y conservación de estos territorios, el ex-presidente Barco, Martín von Hildebrand y un grupo de colombianos crean la Fundación GAIA Amazonas ?FGA, entidad sin ánimo de lucro. Esta Fundación obtiene apoyo financiero principalmente de la Comunidad Económica Europea y de los gobiernos de Holanda, Austria, Suecia y Dinamarca.[3]

 

No documento 'Gobierno Proprio', a Gaia deixa ainda mais claro o seu objetivo separatista:

La propuesta de los Indígenas al Estado es que los procesos de descentralización sean implementados, es decir que las autoridades indígenas sean consideradas en la práctica como Estado dentro de sus territorios, de manera que se logre una administración de los asuntos públicos en manos de las autoridades indígenas, y acorde con la realidad amazónica y con los derechos indígenas. [4]

 

Outrossim, convém não esquecer que, nessa região colombiana, é muito forte a presença dos narcoguerrelheiros da FARC. Segundo documento do ISA sobre um seminário precursor do atual esquema da Canoa e realizado em novembro de 2000, os participantes da COAMA não esconderam a sua inclinação pelo ideário da FARC, procurando atenuar sua notória ligação com o narcotráfico e enfatizando sua luta pela 'democracia' (aspas nossas) do país. [5]

Nada como um mapa para mostrar a dimensão dos objetivos estratégicos do aparato indigenista internacional para o chamado Noroeste da Amazônia:[6]

 

Fonte: COAMA


Os números impressionam. São mais de 1,1 milhão de km2 ocupados por terras indígenas (809 mil km2) e parques naturais. Chama a atenção a continuidade dos 'territórios' indígenas já criados oficialmente e que se estendem no Brasil, Colômbia e Venezuela (principalmente na chamada 'cabeça do cachorro'), assim como a 'expansão' almejada da reserva Raposa Serra do Sol (Roraima, canto superior direito do mapa) e dos ianomâmis na Venezuela. Atualmente, na Venezuela, os ianomâmis habitam numa 'reserva da biosfera' e a sua transformação (e ampliação) em 'território' indígena é um dos principais pleitos do aparato indigenista.

Em tal quadro e com tais atores envolvidos, custa a crer que ainda existam pessoas que atribuam, de boa fé, essa flagrante ameaça às soberanias brasileira, colombiana e venezuelana a mais uma 'teoria conspiratória' engendrada por grupos nacionalistas para alimentar uma quimérica 'cobiça internacional' pela Amazônia.

Notas:
[1]Canoa discute educação e autonomia dos territórios indígenas no Brasil, Venezuela e Colômbia, Instituto Socioambiental, 27/07/07
[2]Order of the Golden Ark awarded to Dr. Martín von Hildebrand, People Earth Decade, 07/05/04
[3]www.gaiaamazonas.org/espanol/gaia_antecedentes.php, capturado em 01/08/07
[4]www.gaiaamazonas.org/espanol/temas_gobpropio.php, capturado em 01/08/07
[5]O WWF e o movimento indigenista, Alerta Científico e Ambiental, 26/11/00
[6]www.coama.org.co/otros/mapas/TIs_APs_NWA_Carta.jpg, capturado em 01/08/07

 

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Comentários (1 postado):

Luiz on 20 September, 2009 2:17
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Por que os governantes da Holanda, já que estão preocupados com a preservação ambiental, porque eles não devolvem as terras confiscadas do mar. Essas terras holandesa que foram invadidas no mar correspondem a 70% de suas economias,
70% do PIB da Holanda. Acho que está na hora dos países da europa começarem a preservar o quintal deses países.
O Japão também é outro países que não tem território para expandir e também começa a invadir o mar com ilhas articiais de moradia.
Já o Brasil com dimensões continental os grigos ainda querem nos ditar regras.
Países com culturas imperialistas ainda veem o Brasil como quintal e tentam ainda nos colonizar.
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