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Uma lição inglesa para Roraima

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28/nov/07 (AER) – Em sua edição do dia 24 passado, uma reportagem do jornal britânico The Independent revelou que Bharrat Jagdeo, presidente da Guiana, em visita à Grã-Bretanha, teria proposto que este país seja responsável pela ‘manutenção da floresta’ da Guiana em troca de um pacote de financiamentos para o ‘desenvolvimento sustentável’ e assistência técnica para tornar a indústria guianense mais viável ambientalmente. [1]

O presidente Jagdeo refuta que a proposta coloque em risco a soberania do país, mas o fato é que o modelo utilizado foi a reserva ambiental de Iwokrama, criada no início de 2000 sob os auspícios do WWF e administrada pela Comunidade Britânica. A reserva, com 400 mil hectares, situa-se na região do rio Rupunini, próximo à fronteira de Roraima, e foi inaugurada pelo príncipe Charles em pessoa. [2]




charles_iwokrama
Príncipe Charles na Guiana para a inauguração do parque Iwokrama




O proposta guianense foi objeto de um artigo do jornalista Elio Gaspari que, corretamente, classificou-a como uma recaída colonial para a Guiana – ex-Guiana Britânica - que se transformaria, assim, em um ‘protetorado ambiental’ da Inglaterra. Mesmo deixando implícito que tal medida, se implementada, traria sérias implicações geopolíticas para o Brasil na Amazônia por via do ‘fator ambiental’, Gaspari deixou de fora outro vetor tão ou mais importante que ameaça a nossa soberania na região: o ‘fator indígena’ e, mais especificamente, a homologação em curso da reserva indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima.

Ocorre que a área da reserva Raposa-Serra do Sol faz parte do território reclamado pela Inglaterra em meados do século 19, especificamente, a área delimitada pelo rio Cotingo, desde sua nascente, até sua confluência com o rio Tacutu, como mostrado na parte hachurada horizontalmente no mapa histórico abaixo reproduzido:

 

 

pirara
Mapa elaborado em 1904 pelo Ministério da Guerra mostrando território contestados pela Grã-Bretanha



O território “contestado” pela Inglaterra media 54.687 km2, sendo posteriormente (1891) reduzido para 25.187 km2, dos quais o Brasil renunciou a 15.087 km2 ao aceitar, em 1904, o laudo do rei Vittorio Emanuele I, da Itália, escolhido como árbitro da disputa.

É de fundamental importância recordar que a Inglaterra invocou o ‘fator indígena’ para justificar o seu pleito territorial ao argumentar que as terras a leste do Forte de São Joaquim eram habitados por “tribos independentes que clamam pela proteção britânica”. Em 20 de fevereiro de 1841, o encarregado de negócios de S.M. Britânica no Rio de Janeiro comunicava ao ministro de Negócios Estrangeiros, Aureliano Coutinho, que o Governo britânico enviara instruções ao Governo da Colônia (ex-Guiana Inglesa) “para se opor a toda usurpação sobre o Pirara ou sobre o território ocupado até agora por tribos independentes” (cf. Obras do Barão do Rio Branco, vol. II - Questões de Limites - Guiana Britânica, Ministério das Relações Exteriores, 1945).

Além disso, não é segredo que, há mais de um século, a Venezuela reclama o
território do Essequibo, perdido para a então Guiana Britânica em um contestado pleito decidido por arbitragem internacional, em 1899.

É nessa região historicamente conflagrada que deve ocorrer uma verdadeira operação de guerra, ordenada pelo presidente Lula, para poder ‘expulsar’ os arrozeiros que se recusam a sair da área delimitada para a reserva Raposa Serra do Sol.

A ‘batalha de Roraima’, que já causou a mais séria crise militar no período Lula e ganhou o repúdio generalizado de parlamentares e da maioria da população roraimense, inclusive a indígena, ainda tem potencial suficiente para criar grandes dissabores ao presidente Lula.

Por outro lado, a proposta guianense de se auto-transformar em ‘protetorado verde’, seja ela aceita ou não, encerra um alto valor pedagógico para o governo brasileiro, a que o ‘fator indígena’ e o ‘fator ambiental’, promovidos por uma constelação de ONGs que atuam abertamente no país como agentes de influência de potências estrangeiras, já foram longe demais.


Notas:
[1] Take over our rainforest, The Independent, 24/11/2007
[2]Charles inaugura reserva próxima à fronteira de Roraima, Alerta Científico e Ambiebtal, 28/02/2000
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Comentários (3 postado):

David Waisman on 08 December, 2007 0:33
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Talvez a Guiana, ameaçada pela Venezuela, tenha de recorrer a essa proteção. O ideal seria poder contar com a proteção do Brasil. Não pode, porque nós mesmos estamos perdendo sempre brigas contra o ecologismo.
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valdo on 12 April, 2009 10:38
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a guiana e um pais muinto pobre sub desenvolvido sem tecnologia; sua pricipal atividade e agricultura e extartivismo mineral, analisando esses aspectos e possivel se enterder um pouco por que a guiana sempre recorre a gran-bretania. com relação a teritorio perdido pelo brasil isso e muinto pouco diante do tamanho do brasil. temos que esquecer picuinhas do passado e pensar no futuro o brasil tem muinta terra o que falta é reforma agraria e acabar de fez com latifundio sem esquecer a questão a ambiental.
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Nação Soberana ou sucumbir on 13 April, 2009 15:25
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Afirmou o presidente interino da Funai, Aloysio Guapindaia. “Na medida que uma terra é pequena demais para determinado grupo pode comprometer sobrevivência dessa sociedade”Conclusão:como a natalidade desses brasileiros descendentes da etnia indígena esta aumentando, então futuramente deverão as reservas serem aumentadas até os limites fronteiriços,internacional, pela lei ou pela força???????Depois virão os quilombolas e outras minorias. O Brasil é uma Nação miscigenada, mas de privilégios para alguns e de maioria discriminada.. Em nosso Pais, privilegiados recebem verbas, terras e não vão para a cadeia, invadem propriedade, fazem reféns , extorsões e somente a maioria discriminada é penalizada.Faltam:civismo; educação de qualidade para todos,sem discriminações; saúde e segurança.
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