'Subprime' no mercado de créditos de carbono?
9/jan/08 (AER) – A agenda do ‘aquecimentismo’ global está fazendo água (e não com o derretimento das geleiras), depois que fracassou em Bali a tentativa de se estabelecer um compromisso mundial com metas de redução dos usos dos combustíveis fósseis, na 13ª. Conferência das Partes sobre Mudanças Climáticas das Nações Unidas. Ao mesmo tempo, um número crescente de evidências científicas que enfatizam as causas naturais do fenômeno começa a receber uma atenção maior da mídia, juntamente com cientistas e autoridades que sempre questionaram os cenários catastrofistas.
Por exemplo, no início de 2007, os alarmistas prediziam que as temperaturas bateriam todos os recordes de alta durante o ano. Ocorre que, como ficou constatado com precisas medições feitas por instrumentos de satélites e balões-sonda, desde 1998 as temperaturas globais deixaram de subir e 2007 foi simplesmente o ano mais frio do século até agora. "O aquecimento global parou. Não se trata de um ponto de vista ou uma imprecisão de cético. É um fato observável", admitiu o ex-editor científico da BBC David Whitehouse, em um artigo publicado em 19 de dezembro, na revista The New Statesman.
Igualmente sintomático dos "novos tempos" é o seguinte trecho de um artigo do Boston Globe de 6 de janeiro:
A ciência climática não é uma religião e aqueles que contestam a sua teoria prevalecente não são heréticos. Ainda há muito o que aprender sobre como e por que o clima se altera e não há nem virtude, nem sabedoria, em uma corrida emocional para se combater o aquecimento global - especialmente, se o que está a caminho é um Grande Resfriamento global.
Enquanto isso, aumentam os questionamentos sobre os esquemas de créditos de carbono, as meninas dos olhos dos interessados na exploração comercial do catastrofismo climático. Nos EUA, a Comissão Comercial Federal (FTC), responsável pela regulamentação da propaganda comercial, decidiu promover uma série de audiências para avaliar a veracidade das propostas de compensações de carbono alardeadas por muitas empresas, das quais a cada dia surgem novas denúncias de fraude.
A propósito, no Brasil, é opinião do chefe de Política e Desenvolvimento Agropecuário do Ministério da Agricultura, André Vieira Ramos de Assis, que não existe produção suficiente de sementes ou de mudas para abastecer nem metade de um dos projetos anunciados por empresas brasileiras em sua busca pela acumulação de créditos de carbono: "As empresas têm alardeado o replantio de milhões de sementes e mudas para obter créditos de carbono, no entanto, nem os maiores produtores do Brasil dispõem de tanto material para ser disponibilizado", disse ele à Folha de São Paulo (07/01/2008).
Na Europa, o celebrado esquema de cotas de emissões estabelecido pela União Européia, apontado como o mais bem-sucedido exemplo de solução comercial para o problema do aquecimento global, está sendo acusado de prática desleal pela Keidanren, a poderosa federação que representa as indústrias japonesas. De acordo com a denúncia, admitida pela Comissão Européia, as cotas de emissões estabelecidas em 2005 para cerca de 11 mil indústrias de todo o bloco foram muito maiores do que as provocadas pelo consumo de combustíveis das empresas, com o intuito deliberado de fomentar o comércio das cotas (Yomiuri Shimbun, 8/01/2008).
Ou seja, a questão nada tem a ver com problemas climáticos, mas de interesses econômicos e financeiros. Não deve demorar muito para que seja criado um bem nutrido mercado de ‘subprime’ lastreado em voláteis ‘créditos de carbono’.



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