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Serra se alinha ao novo colonialismo anglo-americano

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10/nov/09 (Alerta em Rede) – Em sua recente viagem à Londres, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou muita gente incomodada ao afirmar que o Brasil não levará metas de redução de gases-estufa para a conferência do clima da ONU, a se realizar daqui a um mês em Copenhague. Nas barbas do primeiro-ministro britânico e mestre de cerimônias do aquecimentismo Gordon Brown, Lula afirmou que o Brasil, em vez de se comprometer com uma meta, quer negociar um número factível com outras nações, como Estados Unidos, China e Índia. [1] 

Em linguagem corrente, significa que o Brasil não assumirá metas às custas do seu desenvolvimento, posição, aliás, também assumida pela China e Índia e que foi traduzida pela ministra Dilma Roussef ao exigir que os quiméricos cálculos reducionistas fossem condicionados a partir de um crescimento de 6% no PIB anual do Brasil.

E não são poucas as pressões, internas e externas, para que o Brasil assuma a “linha de frente” no combate ao suposto aquecimento global antropogênico. Como reporta Clovis Rossi, por exemplo, os EUA e o Reino Unido utilizaram-se da reunião de ministros da Fazenda e presidentes de bancos centrais do G20, realizada semana passada na Escócia, para fazer passar uma proposta como anexo ao documento final que previa um conjunto de regras para financiar a adaptação à mudança climática. Basicamente, o pacote anglo-americano previa equilibrar os recursos públicos com os privados e a criação de um "Fundo Climático", a ser gerido pelo Banco Mundial, para o qual os países emergentes seriam obrigados a contribuir. Aceitar a proposta americana e britânica seria "apunhalar pelas costas os nossos negociadores", como Rossi ouviu da delegação brasileira, porque se estaria abandonando o critério de responsabilidade comum mas diferenciada, que é a base de todo o trabalho dos negociadores da questão climática.

Ou seria como, na feliz metáfora do articulista Alon Feuerwerker, “Se não nos convidaram para o banquete, soa um pouco excessivo que nos intimem a participar de igual para igual na hora de rachar a dolorosa. Também porque as bolas estão invertidas. Pedem-nos o sacrifício à vista, com a promessa de benefícios no longo prazo. Exigem que renunciemos à expansão da fronteira agrícola, sem a garantia de que o aumento de produtividade será capaz de atender à demanda explosiva por comida numa sociedade em que, finalmente, os pobres começaram a comer direito”. [2] 

Já no plano interno, a “punhalada” partiu não de Marina Silva e seu séquito de ambientalistas profissionais, mas do governador de São Paulo, José Serra, que resolveu baixar uma lei criando meta mandatória – e não voluntária, como advoga a posição do governo brasileiro - de redução de emissões de gás carbônico no âmbito estadual. A Política Estadual de Mudanças Climáticas baixada estabelece uma diminuição de 20% nas emissões até 2020, em relação a 2005, com direito a tripúdio do secretário paulista do Meio Ambiente, Xico Graziano: "Nossos 20% vão muito além dos 40% que o Brasil pode decidir adotar. Falta coragem ao governo federal para agir com a mesma altivez do governo de São Paulo." [3]

"O Brasil deve ceder e pressionar os outros países”, disse Serra para pressionar o governo federal a seguir a “ousadia” paulista, mas coube a Graziano traçar a linha divisória: "A política hoje se divide entre aqueles que topam a agenda ambiental e aqueles que a temem, os progressistas e os conservadores". É de lamentar-se que o outrora paladino do desenvolvimento soberano brasileiro, José Serra, tenha sucumbido aos cantos da sereia do ambientalismo, o novo colonialismo engendrado pela oligarquia anglo-americana.

 

 

Notas:

[1]Brasil não levará meta climática, diz Lula, Valor, 05/11/2009

[2]A boa cautela de Lula, Correio Braziliense, 08/11/2009

[3]Serra pede a Lula ousadia na meta de redução de CO2, O Estado de São Paulo, 09/11/2009


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Comentários (2 postado):

Paulo Lima on 15 November, 2009 11:08
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É óbvio que o governador de São Paulo está jogando para atrair simpatia estrangeira à sua candidatura. Mesmo que isto signifique "apunhalar pelas costas" a diplomacia brasileira e mesmo que, caso ele seja vencedor nas eleições para presidência, esta posição caia pesamente na sua própria cabeça. Agora, dizer que vai reduzir é uma coisa. Dizer "como", é outra. Será que será através dos "pedágios urbanos" como já foi tentado no inicio do ano ? Ou de mais pedágios nas rodovias ? Será investindo em energias alternativas desnecessárias e depois enviando a conta para o consumidor ? ou estabelecendo taxas/impostos para combater o "aquecimento global" ?
Veremos. O Exmo governador acaba de armar uma bomba que pode explodir na sua própria cabeça.
Paulo
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kleiton Amilcar on 15 November, 2009 12:11
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Ao dizer que "o Brasil deve ceder e pressionar os outros países", Serra revela a estratégia exata dos países interessados na "economia de baixo carbono". O Brasil tem sido verdadeiramente assediado pela nobreza européia nos últimos meses. A "bola" de Lula e do Brasil tem sido jogada prá cima em todos os lances, o movimento ambientalista tem dito e repetido como um mantra que o Brasil deve ser "protagonista" do mega-evento da COP15, a matéria do The Economist promovendo o Brasil como um grande país, etc,etc. Na verdade, com o Brasil eles esperam quebrar o BRIC ao meio. Utilizar o Brasil como um ariete, como um "peão" neste grande tabuleiro que é Compenhagen. Ponto para o Brasil e para a sua diplomacia que, apesar de alguns discursos em que Lula mostra preocupação com as "mudanças climáticas", ainda não se rendeu incondicional e completamente. Estou com Dilma. Linha dura para quem capitalizou os recursos naturais para seu beneficio e agora quer socializar a degradação.
Kleiton Amilcar
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