O custo logístico do Brasil
22/ago/05 (AER) - Pesquisa inédita realizada pela Coppead/UFRJ derrubou a antiga tese de que o custo logístico do Brasil era de aproximados 17% do valor do PIB, tido entre os mais altos do mundo. O levantamento, divulgado ontem durante o XI Fórum Nacional de Logística, mostra que o custo no País é bem inferior ao estimado: 12,1%.
O coordenador da pesquisa, Maurício Pimenta Lima, esclareceu que o relatório do Banco Mundial se restringia a dizer que o custo com transporte era de 9% a 10%. Os especialistas do setor, então, fizeram por conta própria um segundo cálculo com base em estudos internacionais, que estima que os demais custos com logística chegam a 60% dos gastos com transporte. Com ajustes, chegou-se ao percentual de 17%.
Lima, porém, confirmou que o diesel continua servindo como base de cálculo: "Chegamos à conclusão de que o diesel representa 33,6% do transporte nacional de carga. Somados os gastos com combustível, aos desembolsos com pedágio e manutenção dos veículos, o Brasil gastou em 2004 R$ 104,3 bilhões somente com transporte de carga rodoviário", explicou. [1]
Convém ressaltar que, mesmo com o baixo custo do transporte rodoviário de cargas no Brasil e a ineficiência no aporte de recursos, o modal ferroviário aumentou de 20,7% para 23,8% sua participação na matriz de transporte brasileira entre 2001 e 2004, período em que a movimentação cresceu de 162,2 bilhões para 206 bilhões de toneladas por quilômetro útil (TKU). Para o presidente da MRS Logística, Julio Fontana Neto, uma das concessionárias responsáveis pelo crescimento do modal, o resultado mostra a retomada da confiança das empresas no setor ferroviário e reflete os recordes em volume das exportações brasileiras. Segundo ele, os grandes projetos industriais do País haviam deixado de incluir as ferrovias como opção para o transporte da produção, privilegiando a utilização das estradas. [2]
Sem dúvida, trata-se de uma pesquisa importante mas que não inclui uma análise ainda mais relevante para o País, o custo socioeconômico da não existência das rodovias, ferrovias e hidrovias planejadas há décadas mas não implementadas, seja pelo "desvio" dos recursos necessários para o pagamento da dívida interna-externa, seja pela ação predatória do aparato ambientalista internacional contra os projetos. [050822d]
[1]"O custo da logística representa 12,1% do PIB, revela Coppead", Gazeta Mercantil, 18/8/2005
[2]"Trens começam a fazer bonito", Jornal do Commercio, 22/8/2005



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