Aquecimento infernal?
12/nov/06 (AER) - Em oportuna iniciativa, a Pontifícia Academia de Ciências do Vaticano dedicou a sua recente assembléia plenária, de 3 a 6 de novembro, ao tema "A possibilidade de predição na ciência: precisão e limitações". Como é habitual, a sessão de encerramento teve a participação do Papa Bento XVI, desta feita, com uma breve palestra em que não apenas reiterou a inexistência de qualquer oposição fundamental entre a ciência e a religião, mas também desfechou um vigoroso golpe contra o alarmismo pseudocientífico. Embora o Pontífice não tenha feito menção a qualquer variante do fenômeno em particular, suas palavras parecem ter sido dirigidas diretamente aos ambientalistas e sua ideologia anti-humana e anticientífica:
O ponto de partida da revelação bíblica é a afirmação de que Deus criou os seres humanos dotados de razão, e os pôs acima de todas as criaturas da terra. Deste modo, o homem se converteu em quem administra a criação e no "ajudante" de Deus. Se pensarmos, por exemplo, na maneira em que a ciência moderna contribuiu para a proteção do ambiente, prevendo os fenômenos naturais, o progresso dos países em vias de desenvolvimento, a luta contra as epidemias e o aumento da expectativa de vida, fica claro que não há conflito entre a Providência de Deus e a ação do homem. De fato, poderíamos dizer que o trabalho de prever, controlar e governar a natureza, que a ciência faz hoje mais factível que no passado, faz parte em si mesmo do plano do Criador.
Adiante, o Sumo Pontífice fulminou o catastrofismo "politicamente correto" que tem infestado o planeta, especialmente no campo das mudanças climáticas:
A possibilidade de predição científica suscita também a questão das responsabilidades éticas do cientista. Suas conclusões têm de estar guiadas pelo respeito da verdade e pelo reconhecimento honesto, tanto da precisão como das inevitáveis limitações do método científico. Certamente, isso significa evitar desnecessariamente predições alarmantes quando não estão sustentadas por dados suficientes ou ultrapassam a capacidade atual da ciência para fazer previsões. Ao mesmo tempo, deve-se evitar o contrário, ou seja, calar, por temor, frente aos autênticos problemas. A influência dos cientistas na formação da opinião pública em virtude e seu conhecimento é muito importante como para ser socavada por uma indevida precipitação ou por uma publicidade superficial.
Como meu predecessor, o Papa João Paulo II, observou em uma ocasião: "Por isso os cientistas, precisamente porque 'sabem mais', estão chamados a 'servir mais'. Dado que a liberdade de que gozam na pesquisa lhes permite o acesso ao conhecimento especializado, eles têm a responsabilidade de usá-lo sabiamente em benefício de toda a família humana" (Discurso à Academia Pontifícia das Ciências, 11 de novembro de 2002).
Embora o Santo Padre não tenha ameaçado excomungar os cientistas que aderiram ao catastrofismo, é irresistível não se atribuir um círculo do Inferno de Dante a muitos deles por propalar um 'aquecimentismo' global que ultrapassa a capacidade atual da ciência para fazer previsões. Lá, poderiam verificar seus cálculos terrestres em tempo real.



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