O 'custo EUA' II
8/mar/02 (AER) - Na edição anterior do Alerta, reproduzimos algumas das contundentes críticas feitas pela Sociedade Americana de Engenheiros Civis (ASCE) ao estado crítico da infra-estrutura interna dos EUA que necessitam gastar 1,3 trilhão de dólares nos próximos cinco anos apenas para mantê-la "atualizada".
Com relação ao sistema hidroviário estadunidense, crucial para a logística de transporte de grãos e outros granéis, a ASCE fundamentou suas críticas e sugestões em fatos a seguir resumidos.
O sistema se compõe de mais de mil canais portuários e 40.000 km de hidrovias interiores, intracosteiras e costeiras, com 238 eclusas que servem mais de 300 portos e possui mais de 3.700 terminais que movimentam cargas no país. As hidrovias e portos fornecem ligações intermodais com 240.000 km de ferrovias, 750.000 km de oleodutos e 70.000 km de rodovias interestaduais.
Esse sistema de hidrovias navegáveis aumentou a qualidade de vida e forneceu a base para o crescimento econômico e desenvolvimento dos EUA. As obras de controle de enchentes, sistemas de transporte de água e projetos multidisciplinares contribuem para a prosperidade nacional e seus benefícios aparecem quando se previnem danos por inundações, se reduzem custos de transporte e o comércio aumenta, como por exemplo:
a. canais navegáveis fornecem corredores eficientes e econômicos para transportar fantásticos 2,3 bilhões de toneladas, do comércio interno e externo da nação;
b. para cada dólar investido para melhorar a infra-estrutura de navegação, o PIB do país cresce mais de 3 dólares;
c. o controle de inundações e a proteção, em média, economiza 22 bilhões em danos anuais, salvando 6 dólares para cada 1 gasto;
d. projetos costeiros protegem 800 km do litoral nacional, criticamente erodidos.
Infelizmente, nos anos recentes, o investimento nacional em projetos de recursos hídricos não caminhou pari passu com o nível de expansão econômico-social. Nos últimos 30 anos, a população dos EUA aumentou mais de 40% e o PIB cresceu de 2,5 para 7,5 trilhões de dólares. Enquanto isso, o investimento na infra-estrutura de recursos hídricos públicos decresceu 70%: por exemplo, nos anos 1970, o CORPO DE ENGENHEIROS DO EXÉRCITO investiu 4 bilhões de dólares na construção de obras civis por ano. Entretanto, nos anos 90, o financiamento caiu para 1,6 bilhão médio ao ano. A combinação de declínio nos investimentos com maior população e economia em expansão criou um "fosso de investimentos".
Atualmente, o Corpo de Engenheiros do Exército tem um atraso em mais de 500 projetos autorizados e ativos, com custo federal de cerca de 38 bilhões de dólares para serem completados. Nos atuais níveis de financiamento, seriam necessários 25 anos para completar esses projetos ativos atrasados, mesmo sem considerar autorizações adicionais.
Os demógrafos predizem que, nos próximos 20 anos, a população estadunidense crescerá mais 50 milhões, atingindo um total de 325 milhões, enquanto nos próximos 10 anos o PIB crescerá para 12,5 trilhões de dólares. Sem novos investimentos significativos, o tamanho do "fosso de investimentos" aumentará e a capacidade das hidrovias navegáveis em beneficiar o que esperamos ser uma sociedade será comprometida.
Mais de 44% das eclusas foram construídas há mais de 50 anos. Muitas são pequenas para o transporte comercial por barcaças modernas. Muitos canais profundos são subdimensionados para os navios megacontêiners, mais largos e de maior calado, que estão se tornando modelo para o transporte internacional de cargas. Há atualmente um atraso de 9 bilhões de dólares em melhorias necessárias nas hidrovias.
Por todo os EUA, a demora em filas nas eclusas totalizam cerca de 550 mil horas por ano, representando uma estimativa de 385 milhões de dólares em aumento nos custos operacionais suportado por armadores, transportadores e, por fim, consumidores.
De acordo com a Associação Americana de Autoridades Portuárias, mais de 90% dos 50 maiores portos dos EUA requerem dragagem regular para manutenção. Esses portos movimentam aproximadamente 93% de todo o comércio nacional por água a cada ano. Se eles não são dragados, muitas instalações dos portos e canais de navegação ficarão inacessíveis em menos de um ano.
Problemas sérios surgirão, se os níveis atuais de investimento continuarem. Prevê-se que as exigências sobre o sistema de hidrovias dobrarão em 2020, enquanto o sistema existente mal pode acomodar os níveis atuais de tráfego. A curto prazo, o serviço se manterá; entretanto, a infra-estrutura envelhecida e com manutenção deficiente devido aos níveis insuficientes de investimento, se refletirá na degradação do desempenho do sistema, em preocupações com segurança, maiores demoras, custos mais altos para transporte de bens e serviços e impacto negativo no PIB e no emprego.



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