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Novo acordo sobre substâncias cloradas ameaça a agricultura

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3/abr/98 (AER) - Um novo tratado internacional para regulamentar a produção, o comércio e a emissão de poluentes orgânicos persistentes (os chamados POPs) está sendo negociado no âmbito do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA). Tais substâncias são consideradas pelos ambientalistas radicais a maior ameaça ambiental produzida pelas indústrias, depois das emissões dos chamados "gases do efeito estufa" e dos clorofluorcarbonos (CFCs), que, supostamente, afetam a camada de ozônio.

O protocolo do tratado foi apresentado em março passado, na última reunião dos signatários da Convenção de Basiléia, que regula a armazenagem e o transporte de detritos tóxicos. As negociações envolvem também a Organização das Nações Unidas para Alimentos e Agricultura (FAO). A primeira rodada das discussões ocorrerá em Montreal, Canadá, em junho e o protocolo deverá entrar em vigor até o ano 2000.

Os POPs considerados mais ambientalmente agressivos - todos eles pertencentes à famíla dos organoclorados - serão os primeiros a ter as emissões e o comércio internacional controlados: aldrin, chlordane, dieldrin, dioxinas, endrin, furanos, heptacloro, hexaclorobenzeno, mirex, PCBs e toxafeno - a maioria deles tendo usos agrícolas. Tais restrições, caso este tratado seja colocado em prática como planejado, ensejarão o surgimento de novos produtos nominalmente menos "agressivos" ao meio ambiente que podem, inclusive, ser menos eficazes (como os substitutos do DDT e CFCs) e que certamente serão mais caros. Uma vez mais, os países que poderão ser mais duramente afetados são exatamente os que possuem grandes populações e apresentam baixos rendimentos em suas produções agrícolas No caso específico do Brasil, onde o setor agropecuário encontra-se entre dois fogos - de um lado, a predatória política do governo para o setor e, do outro, as ações desestabilizadoras do Movimento dos Sem-Terra - o tratado poderia também acarretar uma queda na competitividade dos produtos de exportação, como a soja.

A campanha contra os POPs repete o padrão das campanhas ambientalistas anteriormente desenvolvidas contra os CFCs e as emissões dos "gases do efeito estufa". Em vários casos, como o do DDT, os PCBs e as dioxinas, numerosos estudos científicos da maior seriedade desqualificaram as acusações alarmistas feitas contra tais substâncias. Não por coincidência, o novo tratado será discutido no auge da vasta campanha internacional contra as substâncias organocloradas, encabeçada por ONGs como a Greenpeace e o WWF (ver nota abaixo), cujo objetivo maior é nada menos que a interrupção total de substâncias contendo cloro em suas moléculas.

Embora pareça delirante, esta é a intenção declarada dos promotores da campanha. Uma publicação da Greenpeace do Brasil, O Relatório Greenpeace sobre a maquiagem verde, deixa isto claro ao afirmar que "o desenvolvimento saudável do ponto de vista ambiental não pode comportar a produção de substâncias químicas à base de cloro". Se bem sucedida, tal insânia provocaria um retrocesso de um século na indústria mundial, já que as substâncias cloradas desempenham um papel crucial em grande número de setores da indústria moderna. Além disto, o caráter malthusiano da campanha fica evidente pela investida que a Greenpeace dos EUA tem capitaneado contra a cloração da água potável, cuja interrupção ficou evidenciada na epidemia de cólera que irrompeu no Peru, no início da década.
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