Opinião: Amazônia, Bem Público Mundial?
Amazônia, Bem Público Mundial?
por Armando Soares (*)
O Brasil está dividido em três cenários: 1) uma região dinâmica, desenvolvida o Sul/Sudeste; 2) uma região pobre e diferenciada, o Nordeste; e a Amazônia, um caso especial e ainda não digerida pelo Brasil rico e dinâmico.
O Sul/Sudeste tem uma característica própria de se autodesenvolver, de se multiplicar como uma célula autogerminadora resultante da construção de uma estrutura produtiva privada que não sofreu no tempo, interferência governamental significativa e que teve a sorte de contar com poupança oriunda da atividade agrícola, estrutura do que se aproveitou o governo brasileiro para induzir um crescimento econômico extraordinário, atraindo investimentos estrangeiros, como é o caso da indústria automobilística. Portanto, o Brasil que dá IBOPE e satisfação ao governo LULA, que gera emprego, renda é o resultado da dinâmica empresarial, da competência do setor privado que teve a felicidade de não ter a interferência governamental, de questões como a indígena, estrangeira (ONGs e países ricos), de igrejas e de uma esquerda falida e sem personalidade, pois mascarada de ambientalista. Os negócios vão tão bem ao Sul/Sudeste que mesmo com a carga tributária cavalar brasileira, o crescimento da economia é extraordinário. Um paradoxo que precisa de maiores explicações para entender a matemática e o comportamento dos brasileiros que vêem a Amazônia como se não fosse mais brasileira.
O Nordeste com seus problemas eternos de seca e pobreza é mais uma questão de competência e de política séria, de bom senso, pois o nordestino trabalhador e inteligente, se apoiado fará um Nordeste forte.
A Amazônia, dos três, pode ser considerada o “bode expiatório”, como se tivesse de se purificar de crimes ou faltas cometidas, através do castigo de não poder se desenvolver e o seu povo, como partícipe, sujeito ao eterno sofrimento, refletido na má qualidade de vida e submetido ao mando de senhores do mundo, policiado pelas ONGs e instituições brasileiras pretorianas, remuneradas pelo povo subjugado. O perfil histórico amazônico é de uma região submetida a cobiça, a intervenção estatal, região de curiosidade, ocupada por ONGs a serviço de estrangeiros e socialistas radicais, sujeita a discriminação e a um endocolonialismo histórico, perverso e nocivo, e, exemplo da destruição do Estado de Direito, resultando, como conseqüência natural, um povo ignorado, tratado como incapaz de realizar o seu próprio desenvolvimento e por isso aquinhoado com políticas públicas paternalistas e assistencialistas, que no primeiro momento, evitam a fome e atendem as necessidades básicas, mas que no tempo, em contrapartida, transformam a pessoas em eunucos econômicos, sem vitalidade e sem liberdade.
O processo histórico amazônico espelha com fidelidade o cenário de nossos dias. Primeiro a Amazônia era considerada pelas elites dominantes do sudeste como uma floresta inóspita, de cara manutenção econômica, pois considerada sem autosustentação; em seguida, após a borracha ter importância econômica, traída por brasileiros e perde a borracha, com sua força de célula de desenvolvimento, trocada por café com os ingleses; com uma civilização e economia montada com a borracha e destruída com a complacência de governos míopes, é convocada para sustentar os exércitos aliados durante a II Guerra Mundial; terminada a guerra sofre incompreensivelmente o desprezo do governo Vargas e entra novamente em depressão econômica; desperta do estado agônico com o governo Castelo Branco, que teve a competência de privilegiar a região com a “Operação Amazônia”, anunciando, ao mesmo tempo ao mundo, que a Amazônia não era uma floresta inóspita, mas uma das regiões mais ricas do mundo, oferecendo a oportunidade de bons investimentos e negócios para brasileiros e estrangeiros, refletido nos dias atuais do que se tem de mais significativo na economia da região, principalmente na sua base primária e na montagem da Zona Franca de Manaus, exemplo de como se evita a destruição perniciosa da floresta com propostas inteligentes; cede o governo militar a governança ao governo civil e logo se instala na Amazônia e seus estados, uma gang internacional que impõe uma política ambiental castradora que engessa a economia e o território amazônico, transformando os produtores, industriais, empresários, pequenos, médios e grandes, convocados pelo governo militar para desenvolver a Amazônia, em figuras nocivas e causa maior da destruição da floresta amazônica que a União Européia e os Estados Unidos, entre outros, consideram de sua propriedade para uso conforme as suas conveniências.
É esse o governo civil que os brasileiros queriam para substituir o governo militar? Um Brasil em que só tem valor quem está protegido pelo guarda-chuva institucional? Brasil em que só legisla para proibir e punir, enquanto cresce geometricamente o crime e a bandidagem? Brasil de quem se investe com autoridade e tem seus rendimentos garantidos pelo governo via extorsão de quem trabalha, acha que pode destruir empresas e vidas dedicadas o trabalho? Brasil que se acha com direito de confiscar propriedades e bens, através de pessoas sem o mínimo de equilíbrio e comprometidas com modelo 'soviético'? Governo que não respeita os direitos das pessoas e que ignora que a Amazônia está sendo transferida por sua vontade via reservas para o comando estrangeiro? A Amazônia durante o governo civil foi rotulada como um bem público mundial ou apenas mercadoria de troca? Qual o Brasil que vivemos? O da democracia de mentirinha e de conveniências ou um Brasil com projeto de Nação verdadeiramente livre e democrática?
(*) Economista e Diretor da Federação da Agricultura e Pecuária do Pará
asoares37@yahoo.com.br
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