Denúncia de Carlos Chagas incomoda ambientalistas
28/mai/98 (AER) ? Em sua edição do dia 23 passado, a revista Manchete publicou um interessante artigo de Carlos Chagas, reconhecidamente um dos jornalistas mais equilibrados da imprensa brasileira, intitulado "Depois da Amazônia, o Pantanal é a bola da vez - Querem proibir a hidrovia", onde relata cenas do mais novo episódio da série The New Explorer, documentário produzido pela Kurtiss Productions e exibido este mês de "costa a costa" nos EUA pela rede de televisão A&E. Chagas descreve com precisão como as cenas do documentário são profissionalmente montadas para induzir o espectador a concluir que brasileiros e paraguaios, com suas máquinas diabólicas, estamos ameaçando destruir o Pantanal (mostrado com imagens maravilhosas de fauna e flores) para implementar a Hidrovia Paraguai-Paraná de Cáceres ao estuário do Prata, apontada como o grande algoz de seu futuro.
Segundo Chagas, "o objetivo do filme fica claro quando, próximo do encerramento, numa simbiose até antijornalísitca, cientistas e locutor se unem para abordar que toda aquela riqueza pertence ao mundo, que Brasil e Paraguai não devem cometer o erro cometido pelo americanos nos Everglades, que as obras da hidrovia têm que parar porque a natureza não pode ser reposta, depois de destruída. Em suma, querem a estagnação, exatamente como na Amazônia, isto é, que os povos detentores da soberania dessas regiões não se beneficiem de suas riquezas, é preciso preservá-las. Para quem? Para eles...".
A resposta não se fez esperar e, dia 27 passado, o empresário Israel Klabin publicou no Jornal do Brasil a matéria "Predadores da Amazônia e do Pantanal" onde, em uma evidente ação de controle de danos, tenta desqualificar Chagas, cujo nome não é citado mas apresentado como "um jornalista de renome", por faltar-lhe fundamentos ou informações adequadas em assuntos relacionados "ao meio ambiente e ao impacto de projetos que ameaçam seriamente o futuro da nação", que deveriam ser tratados com mais responsabilidade pela imprensa.
Entretanto, o aspecto mais importante não foi a réplica em si, eivada dos costumeiros chavões ambientalistas contra o projeto, mas o fato do aparato ambientalista internacional ter destacado Klabin, um de seus top level no Brasil, para escrevê-la, uma prova segura do grande impacto causado pela competente exposição de Chagas.
Israel Klabin, além de ser o maior fornecedor de papel de imprensa no País, é também fundador e presidente da ONG Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável (FBDS), diretor do capítulo brasileiro da Lead International Inc., um dos vários programas financiados pela Fundação Rockfeller para a formação de quadros para promover os dogmas ambientalistas, e foi também um dos principais organizadores da Rio +5. A título de manter a biodiversidade na Amazônia, a FBDS foi agraciada em 1994 com US$ 100 mil pela W. Alton Jones, outra fundação "filantrópica" norte-americana que financia grande parte da campanha internacional contra a Hidrovia Paraguai-Paraná. Klabin foi um dos "onze magníficos" do aparato ambientalista internacional que escreveram um libelo contra a Hidrovia Paraguai-Paraná, lançado simultaneamente no Brasil e nos EUA em agosto passado, sob os auspícios do Environmental Defense Fund (EDF) e financiado pelas fundações W. Alton Jones e C. S. Mott.
Amigo íntimo de Henry Kissinger, que costuma hospedar-se em sua residência quando vem ao Brasil, Klabin move-se com desenvoltura nas mais altas esferas do Establishment britânico. Em abril de 1991, por exemplo, foi um dos poucos brasileiros a participar de importantes reuniões coordenadas pelo príncipe Charles que foram realizadas durante dois dias a bordo do iate imperial Brittania, sintomaticamente ancorado na foz do rio Amazonas. O relacionamento de Klabin com o Establishment britânico origina-se dos vínculos de sua família com Chaim Weizman, ligação do movimento sionista com as redes formadas por William "Intrépido" Stephenson, coordenador das operações da inteligência britânica nas Américas durante a Segunda Guerra Mundial.
Como temos extensivamente documentado, o ambientalismo foi fabricado por integrantes da oligarquia britânica, usualmente portadores de pomposos títulos nobiliárquicos, como uma das formas para impedir o desenvolvimento econômico de suas ex-colônias africanas que estavam conquistando sua independência. O WWF, fundado e dirigido pelo príncipe Philip, foi criado exatamente para coordenar tais esforços a nível mundial.



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