Apesar dos "verdes", BR-319 será recuperada
24/abr/09 (Alerta em Rede) – Para consternação das ONGs ambientalistas, realizou-se anteontem, em Humaitá (AM), a primeira das quatro audiências públicas exigidas para a obtenção do licenciamento ambiental para a recuperação e asfaltamento do trecho central da rodovia Manaus-Porto Velho (BR-319). As outras três estão marcadas para Porto Velho, Careiro e Manaus.
A decisão judicial suspendendo as audiências públicas, obtida em função de ação cautelar impetrada pelo Ministério Público, durou menos de um dia: foi revogada pelo desembargador Souza Prudente, do TRF da 1ª Região, em Brasília. [1]
É de se observar que, na gestão Marina Silva à frente do Ministério do Meio Ambiente, foi estabelecida uma espécie de “zona de exclusão verde” na área de influência da BR-319, o que foi feito: foram criadas nada menos de 17 reservas ambientais somando 11 milhões de hectares que, na prática, inviabilizou o incipiente mas promissor aproveitamento agrícola dos campos naturais de Humaitá (AM).
Vale lembrar que a BR-319 foi inaugurada em 1976 mas, ao longo do tempo e por total descaso governamental, ficou praticamente intrafegável em sua maior parte. O licenciamento que se discute agora é referente ao trecho central da rodovia, com cerca de metade dos 800 km de extensão em sua parte no Amazonas,. Os demais trechos estão em recuperação ou já é trafegável (em Rondônia). As obras do trecho entre Manaus e Humaitá estão sendo realizadas pelo 2º Grupamento de Engenharia do Exército. Segundo seu comandante, general-de-brigada Jamil Megid Junior, as pontes de madeira estão sendo substituídas por concreto e as obras incluem também o cumprimento de condicionantes ambientais, dentre as quais a recuperação de áreas degradadas atingidas por erosão. “Só o Exército vai recuperar 645 quilômetros quadrados de área ao longo da BR-319”, disse o general. De fato, partindo de Manaus (Careiro da Várzea), 230 km da rodovia já foram recuperados, outros 171 km devem ser entregues em dezembro deste ano e o restante até Humaitá, em setembro de 2010. [2]
O episódio serve para demonstrar que, quando há vontade política, é possível suplantar a propaganda plantada pelo aparato ambientalista internacional que tem feito intensa campanha, inclusive no Brasil, para que a BR-319 não fosse recuperada sob a argumentação míope de sempre, que rodovias na Amazônia são sinônimo de destruição da natureza, “esquecendo-se” dos enormes benefícios que trazem à população, ao desenvolvimento socioeconômico e, não menos importante, para a ocupação territorial.
Notas:
[1]Licenciamento da BR 319: A luta inglória, mas nunca solitária de Alfredo Nascimento, Greenpeace, 23/04/2009
[2]Exército promete BR 319 para o fim deste ano, Em Tempo, 16/04/2009



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