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Hidrovias só saem com vontade política

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17/nov/09 (Alerta em Rede) – Por iniciativa do Movimento Pró-Logística, de Mato Grosso, realizou-se em Brasília, na semana passada, o Fórum de Navegabilidade da Hidrovia Teles Pires-Tapajós com a participação de parlamentares e lideranças ligadas ao setor de transportes e do setor produtivo.

Considerada estratégica para a logística de transporte do interior brasileiro, a hidrovia tem um projeto orçado em R$ 5 bilhões e duas etapas para a sua implantação. A primeira, entre Teles Pires e Rasteiro, está orçada em R$ 1,5 bilhão e terá capacidade para comboios com capacidade para carregar duas mil toneladas. A segunda etapa, entre Rasteiro e Itaúba e Nova Canaã, deve custar cerca de R$ 3,8 bilhões. Uma das dificuldades para a execução do projeto é o o acentuado desnível topográfico da região, que exigirá a elaboração de estudos para construção de eclusas. [1] 

Essas informações foram dadas durante o evento pelo diretor-geral do Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (Dnit), Luiz Antônio Pagot, que vê com otimismo a implantação da Teles Pires-Tapajós. Outros projetos prioritários para o DNIT são a ampliação da hidrovia Paraná-Tietê, orçada em R$ 12 bilhões e com 800 quilômetros de extensão, e o sistema Tocantins-Araguaia, que necessita de R$ 5 bilhões para entrar em operação. 

Segundo Pagot, o Brasil precisa investir R$ 30 bilhões (cerca de 0,65% do PIB do país) até 2014 para implantar em sistema de hidrovias para a dragagem de canais, construção de eclusas e modernização dos sistemas portuários. Se em 2006 o montante disponível não ultrapassava R$ 4 bilhões, este ano passou para R$ 9 bilhões e deve chegar a R$ 12 nos próximos anos. Além disso, o Banco Mundial está atento à importância de investir em infraestrutura hidroviária e deve injetar USS 5 bilhões para a construção de hidrovias.

Contudo, Pagot adverte que "Só será possível promover a integração do sistema hidroviário se houver vontade política e investimento pesado no setor de infraestrutura". De fato, poucos questionam que a implantação de hidrovias e ferrovias seja de importância vital para o País, mas seu progresso tem sido muito aquém do mínimo desejável. Se, por um lado, já foram superados as principais questiúnculas que opunham defensores de hidrelétricas e de hidrovias por causa da necessária construção conjunta de eclusas, existem ainda algumas vozes discordantes. 

Uma delas é a do secretário de Planejamento Energético do MME, Márcio Zimmerman, para quem seria um "erro estratégico" construir eclusas, pois em alguns casos poderia haver uma ferrovia ao lado. Segundo o jornal Monitor Mercantil, Zimmerman fez tal afirmação durante o Seminário de Hidrovias, realizado uma semana antes na Câmara dos Deputados. Só temos a lamentar que esse vício histórico opondo “barrageiros” e “hidroviaristas”, que tem custado caríssimo ao País, ainda permaneça nos dias de hoje. [2] 

 

 

Notas:

[1]Dnit precisa de R$ 30 bi para implantação de hidrovias, Olhar Direto, 13/11/09

[2]Minas e Energia dificulta desenvolvimento sustentado, Monitor Mercantil, 09/11/2009

 

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