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Argumentos 'patrimoniais' são invocados contra a hidrovia Paraguai-Paraná

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19/ago/00 (AER) ? À medida que a opinião pública se conscientiza que a pregação de ambientalistas radicais contra a consolidação da hidrovia Paraguai-Paraná ? e outras - não passa de uma bem urdida operação geopolítica do Establishment anglo-americano para impedir o desenvolvimento do "coração" da América do Sul, argumentos de outra natureza vão sendo levantados com o mesmo objetivo. Desta feita, o que poder-se-ia chamar de "viés patrimonial".

Segundo informes da imprensa (Diário de Cuiabá, 18/agosto), o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) está questionando a construção do porto de Morrinhos, situado cem quilômetros a jusante de Cáceres (MT), conduzido pela empresa norte-americana ACBL, maior transportadora fluvial do mundo. Para Cláudio Conte, diretor do Iphan em Cuiabá, pequenas obras e concessões vão sendo realizadas para tornar irreversível o projeto da hidrovia. Ele cita, além da estrada e do porto em Morrinhos, a autorização para novas barcaças trafegar, a construção de redes elétricas e um novo silo instalado no porto de Cáceres. "Estamos assistindo à implantação paulatina de um projeto de grande impacto, num ambiente protegido pela Constituição da República, sem nem ao menos a sua aprovação oficial".

Além de inconveniente por opinar em área que não lhe diz respeito, Conte, pelo visto, aparenta desconhecer o que lhe compete por dever de ofício e posição, História. Como sabe qualquer colegial da região, minimamente informado, Cáceres e outras cidades ribeirinhas jamais teriam surgido e prosperado não fôra a considerável navegação praticada secularmente no Paraguai-Paraná, praticamente o único acesso viável ao Paraguai, Bolívia e Mato Grosso, até o aparecimento de ferrovias e rodovias. Não transformar esta fantástica linha de penetração natural em moderna hidrovia, como o fizeram os Estados Unidos e Europa com seus rios, constitui-se num pesado legado que as atuais populações da região herdaram de autoridades sem a menor visão estratégica de futuro e que, infelizmente, possuem inúmeros seguidores nos dias de hoje.


Apesar de altamente discutível, mas mais coerente que de seu superior, foi o argumento da arqueóloga do Iphan Maria Clara Migliácio ao alegar que a navegação de grande porte colocaria sítios arqueológicos únicos em risco iminente de desaparecimento porque "as grandes embarcações batem nas margens, desbarrancando o rio", algo de fácil solução técnica uma vez identificados estes sítios. A arqueóloga há de convir que muito mais difícil foi transladar, peça a peça, o enorme e milenar templo de Abu Simbal, no Egito, para permitir a construção da represa de Assuã.

UNESCO, UICN e WWF, farinhas do mesmo saco.
O outro "viés patrimonial" vem da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura) cujo representante no Brasil, Jorge Werthein, anunciou que a instituição atribuirá aos 210 mil quilômetros quadrados do Pantanal o título de Patrimônio Natural da Humanidade em sua reunião a realizar-se na Austrália em dezembro próximo. Neste e em outros casos similares, o objetivo não declarado do título é sinalizar que se trata de área de particular interesse geopolítico para o Establishment anglo-americano, funcionando como uma espécie de "selo de garantia" para respaldar o carreamento de recursos financeiros para a "conservação ambiental" em questão. A escolha destas áreas é feita pela União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) e as campanhas para sua interdição ao desenvolvimento econômico são conduzidas pelo Fundo Mundial para a Conservação da Natureza, o WWF.

A UNESCO foi concebida e fundada, logo após a Segundo Guerra Mundial, por Sir Julian Huxley e Sir Max Nicholson, membros da elite da inteligência imperial britânica que seriam também fundadores tanto da UICN quanto do WWF. As raízes destas organizações encontram-se em um grupo de planejadores políticos e econômicos reunido no Real Instituto de Assuntos Internacionais (RIIA), o principal órgão de planejamento estratégico do Establishment britânico. As diretrizes dos trabalhos do grupo eram ditadas pelo controle de matérias-primas, o estabelecimento de critérios para um governo mundial e pela eugenia ("melhoramento" racial, as mesmas teses utilizadas pelos nazistas para eliminar os "comensais inúteis").

Nicholson é autor de um relato histórico semi-oficial sobre o movimento ambientalista e cujo título fala por si próprio: "A Revolução Ambiental: Um guia para os novos senhores do mundo" (The Environmental Revolution: A Guide for the New Masters of the World, 1970). Huxley era um obcecado pelas teses eugênicas, cujos conceitos se esmerou em implantar na carta constituinte da UNESCO (incidentalmente, elaborada pelo Ministério de Relações Exteriores da Grã-Bretanha), de quem foi o primeiro diretor. Segundo suas próprias palavras, "embora seja certo que por muitos anos será política e psicologicamente impossível qualquer política eugênica radical, para a UNESCO será importante ver que...a opinião pública se mantenha informada dos temas que se manejam, para que muito do que agora é impensável, ao menos possa ser pensável".

Para Huxley e Nicholson, a "conservação da vida silvestre" representava um elemento crucial para a implantação de um governo mundial. Para justificar suas multifacetadas propostas de controles supranacionais, Huxley dizia que "a propagação do homem deve estar em segundo lugar, depois da conservação de outras espécies". Por toda a vida, ele foi um obcecado com o controle populacional, ao que chamava "o problema de nossa era". No período entre as duas guerras mundiais, integrou a Comissão de Pesquisas Populacionais do governo britânico. De 1937 a 1944, foi vice-presidente da Sociedade Eugênica e era seu presidente por ocasião da fundação do WWF. Huxley também teve uma importante participação na elaboração da estratégia conservacionista da África.
A UNESCO tem um orçamento anual de US$ 550 milhões, financia uma vasta rede de grupos conservacionistas e define a proteção do meio ambiente como um de seus três objetivos principais.

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