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Ministro Stephanes: ONGs representam interesses externos

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image Reinhold Stephanes, ministro da Agricultura

6/jan/09 (Alerta em Rede) - Em entrevista concedida à BBC Brasil, o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, declarou que não adianta discutir a compatibilidade da produção agropecuária com a proteção ambiental quando à mesa de discussões estão pessoas representando ONGs que são financiadas por “interesses outros”. [1]

Sobre a Amazônia, o ministro voltou a afirmar que não é necessário “tocar em nenhuma árvore para aumentarmos a produção brasileira” e menciona “pressões externas” que acabam por contaminar as discussões sobre o tema. A esse respeito, reconheceu que ainda temos um “pouquinho do complexo do subdesenvolvimento”: “Se eu for, como ministro da Agricultura, à Holanda, à Alemanha ou aoo Estados Unidos, e der um palpite sobre meio ambiente, corro o risco de ser mandado de volta”.

Abaixo, os principais trechos da entrevista:

BBC Brasil - Ao longo do ano, agricultura e meio ambiente ficaram em lados opostos. Um projeto de meio ambiente é incompatível com a produção agrícola?

Reinhold Stephanes - É compatível desde que se aja com racionalidade. Desde que tenhamos na mesa, discutindo, pessoas que conheçam o meio ambiente.

Não adianta colocar na mesa pessoas que são financiadas por interesses outros. Algumas grandes ONGs são financiadas, inclusive, pela indústria do petróleo. Outras têm visão ideológica, outras têm visão política.

Eu acho muito interessante como uma ONG financiada com recursos, por exemplo, da Holanda – um país onde cada pessoa polui 16 vezes mais do que um brasileiro – essa ONG está aqui e não está lá.

ONGs financiadas pela Alemanha que não tem uma árvore à beira do rio Reno. E a Europa, que desmatou 99,9% de suas matas nativas. E o Brasil, por outro lado, detém 32% das matas nativas do mundo hoje.

É preciso discutir com racionalidade, sem visão política e ideológica. Não podemos discutir com pessoas que não conhecem a realidade brasileira, ou que nem conhecem as questões ambientais, no sentido de terem estudado ou ser formado.

Eu, aqui no Ministério, tenho pelo menos 20 pessoas que têm doutorado e pós-doutorado em meio ambiente. E gostaria que a discussão se desse nesse nível.

BBC Brasil - A discussão não está se dando nesse nível?

Reinhold Stephanes - Não está, infelizmente. O objetivo nosso é produzir e proteger e isso é compatível, desde que seja feito dentro de um processo de racionalidade.

Eu poderia citar dezenas de exemplos que estão sendo conduzidos de forma errada.

BBC Brasil - O senhor poderia dar um desses exemplos?

Reinhold Stephanes - Há 100 anos nós plantamos uvas nas encostas e nos topos de morro no Rio Grande do Sul e no mundo inteiro se faz isso.

Eu não posso proibir isso de repente, com uma legislação de quem não conhece o assunto. Planta-se arroz na várzea há anos e de repente surge alguém e proíbe.

Se aplicarmos esse Código Ambiental (o assunto aguarda votação na Câmara), 1 milhão de agricultores vão perder propriedade.

Se essa for a decisão brasileira, e se tivermos consciência disso, tudo bem.

Mas vamos pensar então em como vamos indenizar essas pessoas, pois estamos tirando (o agricultor) da casa dele. Não estamos tirando nenhum ambientalista do apartamento dele.

BBC Brasil - O mesmo se aplicaria à região amazônica? Digo, é preciso desmatar para plantar?

Reinhold Stephanes - Veja bem, são coisas muito distintas.

O bioma amazônico, na nossa visão, tem que ser intocável. Não precisamos tocar em nenhuma árvore para aumentarmos a produção brasileira.

O que está acontecendo é que estão derrubando árvore na Amazônia por incapacidade de rastrear, em tempo real, de saber quem está derrubando...

Não sabemos sequer quem são os proprietários. Por isso, toda hora adotamos medidas genéricas que atingem o Brasil inteiro.

Ou como a tal da Portaria 96 (restrição ao crédito para produtores que desmatarem), que prejudicou milhares e milhares de produtores que estão produzindo corretamente há 20, 30 anos, pois não tivemos capacidade de localizar quem são os desmatadores.

E aí nós simplesmente congelamos uma região de quase 30 milhões de hectares.

São alguns exemplos de coisas que são, na minha visão, mal conduzidas e que poderiam ser discutidas dentro de um processo de racionalidade, de discussão objetiva, sem emocionalismo.

Sem as chamadas pressões externas. Parece que ainda temos um pouquinho do complexo do subdesenvolvimento.

Se eu for, como ministro da Agricultura, à Holanda, à Alemanha ou ao Estados Unidos, e der um palpite sobre meio ambiente, corro o risco de ser mandado de volta.

Notas:
[1] 'Bioma amazônico deve ser intocável', diz Stephanes, BBC Brasil, 29/12/2008

 

 

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Comentários (9 postado):

Fausto J. Coral on 27 January, 2009 11:26
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Sou de opinião que o Senhor Ministro da Agricultura está agindo corretamente e tem razão na maioria das coisas que defende.
O Senhor Ministro do Meio Ambiente também defende com ardor aquilo que parece ser correto sob sua ótica.
Melhor seria se âmbos procurassem que suas idéias convergissem para um único ponto que é o do interesse maior das coletividades,que se confundem, em ùltima instância, com os interesses de nossa pátria.
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Nestor de Souza Linhares on 27 January, 2009 12:34
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Agricultor da APA DO PRATIGÍ(Area de Preservação Permanente) em Ibirapitanga-Ba informo que aquí as ONGs e OSCIPs primeiro ajuda os moradores a terem renda e emprego para que daí possamos manter e preservar o restante da MATA ATLÃNTICA.
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Geraldo Dantas on 27 January, 2009 22:48
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O Ministro Stephannes está absolutamente CERTO. As Políticas ambientais, devem ser traçadas a partir dos locais onde as pessoas vivem e não a partir de Brasília ou do Rio de Janeiro. Tem que ser conversado, tem que ter audiencias públicas, tem que diagnosticar as realidades locais para traçar os ditames da LEI. Encaminhar para a Câmara um pacote que ALGUEM acha certo, TÁ ERRADO...
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Luiz Nascimento on 28 January, 2009 20:29
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É bom não confundir ongs com ONGS, temos gente seria em ONGs e tb temos muitos picaretas, digo piratas de terra firme; o Sr. Ministro esta corretissimo e nós precisamos ficar espertos com esses ¨piratas¨que precisam ser super bem vigiados.É meu BRASIL falando sem medo.
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Fernando Gonçalves de Souza on 11 February, 2009 12:17
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O sr. Ministro esta absolutamente certo, eu sou um produtor de camarão, contrui os viveiros como o IBAMA determinou, com afastamento do mangue e com bacia de sedimentação, mas com a interferencia de ambientalistas radicais a fazenda esta fechada à 2 anos
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Pedro Girardi on 17 March, 2009 14:37
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SR> Stephanes é um homem que prima pela sua conduta e dos cargos que ocupa ,fazendo uma politica séria voltada para os interesses do Brasil, o passado dele é limpo., e de grande valor em prol dos projetos nas pastas em que ele atuou, as declarações sempre são enbasadas em fatos eseus atos são analisados antes de qualquer ação, de fato á muitos interesses dos poderosos que são contrariados, eainda bem que o sr. lula lhe dá o devido apoio as medidas que é julgado necessárias pelo ministro stephanes( competencia tem de sobra )cnhecimento público idem.
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Hernani de Sá on 23 April, 2009 12:19
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O Ministro está certo, em parte.
Sobre a Amazônia, o ministro voltou a afirmar que não é necessário “tocar em nenhuma árvore para aumentarmos a produção brasileira”.
Tem que ser mais contundente e convencer as demais autoridades (em especial o Ministro do meio ambiente, o Presidente e o STF) que a mata adulta não tem a importância que muitas ONGS estrangeiras disfarçadas de nacionais, tentam nos convencer e pressionar os políticos a seu favor.
Uma mata adulta, "nem fede nem cheira" em termos de preservação do meio-ambiente.
Se houver o manejo sustentável, sem queimadas, as matas gerarão muita riqueza e empregos, a parte removida e aproveitada, ao crescer, aí sim, renovam a atmosfera, preservando o meio-ambiente.
NADA MAIS ESTÁ EM EXTINÇÃO.
Com o nível avançado da biotecnologia, até as espécies extintas poderão ser reconstituídas através da manipulação do DNA (até na Lua em futuro próximo).
O invés de extensas APAS e Reservas façam em todo o Brasil Jardins botânico e zoológico, com todas as espécies catalogadas ao longo dos tempos, com características de cada região.

Abaixo as ONGS picaretas, as extensas APAS e Reservas.
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alessandra on 29 September, 2009 13:13
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Sou plenamente a favor da posição so Senhor ministro...As ONGs discutem rotineiramente assuntos que não conhecem e tampouco tem embasamente técnico-científico pra isso...é o fim da picada!!!!
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osenhor das hostes on 05 October, 2009 3:47
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MALDITAS ONGS!!!!

QUEM AS CHAMOU PARA DAREM PALPITES AQUI?

POR QUE PERMITIMOS QUE ELAS NOS ATRAPALHEM?

AS NOSSAS TERRAS ESTÃO TRANCADAS!
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