Frigoríficos se curvam ao Greenpeace
10/out/09 (Alerta em Rede) – A grande imprensa noticiou com destaque que os frigoríficos Marfrig, Bertin, JBS-Friboi e Minerva, os maiores do país e com abrangência mundial, assinaram em bloco um “compromisso” com o Greenpeace que não mais comprarão carne bovina de produtores que contribuem com o desmatamento da Amazônia. [1]
Segundo a ONG, o compromisso inclui uma agenda com seis pontos, como o monitoramento do desmatamento na cadeia produtiva e cadastro de todas as fazendas produtoras.
A subserviência foi tão grande que até mesmo Paulo Adário, diretor do Greenpeace, parecia incrédulo: “É incrível que o principal setor responsável pelo desmatamento esteja comprometido com a integridade da floresta”, disse ele, acrescentado com a empáfia típica de vitorioso que o compromisso firmado também se refletirá na política externa brasileira, referindo-se à próxima Conferência de Copenhague (COP-15) em dezembro que vem.
Observe-se que, recentemente, os frigoríficos Bertin e Minerva, assim como outros que produzem no Pará, principal alvo do Greenpeace e caterva, já haviam assinado um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) com o Ministério Público e o governo daquele Estado se comprometendo a respeitar o meio ambiente, a rastrear bois, a informar ao consumidor a fazenda e a cidade de origem do gado e a exigir informações de pecuaristas sobre os limites das propriedades para monitorar desmatamentos; o Bertin chegou mesmo a se comprometer em adotar moratória de dois anos ao desmatamento ilegal ou até que as fazendas fornecedoras de gado obtenham licença ambiental. Pelo jeito, a credibilidade das autoridades brasileiras pouco valem uma vez que os grandes frigoríficos acabaram por recorrer ao Greenpeace para obter uma espécie de “salvo conduto” para seus produtos no exterior.
Em essência, o acerto dos frigoríficos com a ONG significa mais ou menos o seguinte: os frigoríficos se curvam às exigências do Greenpeace e este pára de fazer campanhas, principalmente no exterior, contra a carne bovina da “Amazônia”.
Enquanto o Greenpeace atua por aqui como bem entende, é de lamentar-se essa desmoralização das autoridades nacionais e os risos à larga dos concorrentes da carne bovina brasileira.
Notas:
[1]Frigoríficos se comprometem com o Greenpeace a não comprar carne de gado de área desmatada da Amazônia, Agência Brasil, 05/10/2009



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