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Planejamento estratégico para a agricultura

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18/out/09 (Alerta em Rede) – Em boa hora, o titular interino Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, Daniel Vargas, disse em alto e bom som que a agricultura brasileira precisa de um planejamento de longo prazo, seguindo o exemplo de outros setores da economia nacional, como o de educação, energia e transporte, cujo plano de desenvolvimento inclua horizontes de 10 a 30 anos. [1]

Corretamente, Vargas chama a atenção de que a agricultura ainda não tem um planejamento que organize o setor para as próximas décadas que a cadeia produtiva do setor precisa se aliar ao governo para criar um plano contemplando investimentos essenciais para promover o desenvolvimento do setor nos próximos 20 anos. E sugere que, para tal, o governo e o setor privado deveriam trabalhar a partir de três premissas: promover a industrialização rural; superar o conflito entre agricultura familiar e empresarial; e estimular a formação de uma forte classe média rural.

“A agricultura é vanguarda no desenvolvimento econômico e não a retaguarda. Vejo o exemplo de grandes centros industriais urbanos, como na Califórnia, que se organizaram em regime de concorrência cooperativa. A indústria nacional não trabalha com este sistema, mas em partes de São Paulo e nos estados do Sul do País este é um modelo muito forte”, disse Vargas durante o 1º Fórum Inovação: agricultura e Alimentos para o Futuro Sustentável.

Ele recorda que para cada hectare cultivado há de três a quatro hectares de pastagens degradadas ou áreas abandonadas; para avançar em áreas virgens, o produtor gasta R$ 600 por hectare, mas para recuperar uma área degradada os gastos variam de R$ 3 mil a R$ 4 mil. Portanto, é preciso criar um benefício para aqueles que querem incorporar estas áreas sem uso econômico, sugere Vargas.

Naturalmente, Vargas enfatiza ser essencial a organização das obras logísticas para o escoamento da safra agrícola pelo norte do país, cuja competitividade é minada pelo alto gasto com o transporte que chega a representar 40% dos custos de produção em algumas regiões, destacando a conclusão da BR-163, da Ferrovia Norte-Sul e da hidrovia Teles Pires-Tapajós. “O desafio é ligar estes modais às áreas de produção com estradas vicinais”, concluiu ele.

Com a palavra o ministro da Agricultura Reinhold Stephanes que, por sinal, reclamou com seu colega Edison Lobão, de Minas e Energia, por causa da política de exploração de fertilizantes: "O Brasil não tem nenhuma política de exploração de jazidas minerais para fertilizantes. Nós temos apenas uma estrutura cartorial que dá licenças de pesquisa e de exploração e, mesmo assim, com quase nenhum controle", disse Stephanes. [2]

Atualmente, o Brasil importa 91% do potássio utilizado na agricultura, apesar da existência de uma imensa jazida em Nova Olinda do Norte, na Amazônia, sem exploração. Há indícios de que essa pode ser a terceira maior reserva do mundo, atrás apenas da Rússia e do Canadá. Similarmente, o País importa 51% de suas necessidades em fósforo, quando o elemento existe em abundância aqui. "O fósforo vem do Marrocos, atravessa o Oceano Atlântico, chega ao Porto de Paranaguá ou de Santos, passam-se dias ou semanas com o navio esperando para descarregar, aí descarrega, bota num caminhão, roda três mil quilômetros até o norte do Mato Grosso. Só que no norte do Mato Grosso tem jazida de fósforo", disse Stephanes.

De todo o composto de nitrogênio, fósforo e potássio (NPK) utilizado nas lavouras a cada ano, o Brasil produzia apenas 35% em 2006. Em 2009, por causa do aumento do consumo, a participação caiu para 27%. A Argentina, por exemplo, produz 77% do NPK que utiliza. "O Brasil, além de dependente, é vulnerável à manipulação de preços, e poderá se tornar vulnerável quanto ao atendimento de suas necessidades”, complementou o ministro.

Certamente um mais que necessário planejamento de longo prazo para o setor agropecuário brasileiro propiciaria um excelente instrumento para coordenar essas e outras necessidades do setor.



Notas:
[1]Para o governo, a agricultura precisa planejar a longo prazo, DCI, 16/10/2009
[2]Produção de fertilizantes coloca Stephanes e Lobão em rota de colisão, Estadão, 12/10/2009

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