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O estratégico retorno da Petrobras ao setor de fertilizantes

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10/nov/09 (Alerta em Rede) – Recentemente, ao discorrer sobre a necessidade de planejamento estratégico para a agricultura, este Alerta mencionou a reclamação do ministro da Agricultura Reinhold Stephanes junto ao seu colega Edison Lobão, de Minas e Energia, pela falta de uma política nacional de exploração de fertilizantes. [1] 

O fato é que a Petrobras está retornando ao setor de fertilizantes e já começou uma mudança de estratégia ao transferir a área foi transferida para a Diretoria de gás e Energia, comandada por Graça Foster. Além disso, aprovou planos de expansão na área de fertilizantes com a construção de duas fábricas de amônia e ureia com base no gás natural, dobrando a capacidade nacional. [2] 

Também transpirou na imprensa que a Petrobras caminha para promover um retorno à mineração, 20 anos após a extinção da Petromisa, subsidiária que atuava no segmento. Neste contexto, um projeto em avaliação pela Petrobras é a extração de potássio no município de Nova Olinda do Norte (AM), que já foi explorada pela estatal na década de 1970 quando identificou a existência de 1,1 bilhão de toneladas do mineral na Mina de Fazendinha, atualmente pertencente ao grupo financeiro Forbes & Manhattan por meio da mineradora Falcon Metais. “O sentimento é que o Brasil precisa de um grande player na exploração do potássio e esse player é a Petrobrás", diz uma fonte com acesso à área energética do governo. Em realidade, a região do encontro entre os rios Madeira e Amazonas é considerada a última grande fronteira da exploração de potássio no mundo.

O Brasil é o terceiro maior consumidor de potássio no mundo, com demanda estimada em 3,7 milhões de toneladas. Isso representa 13,9% do consumo mundial, atrás da China (18,9%) e dos Estados Unidos (16,4%), segundo dados da Associação Internacional das Indústrias de Fertilizantes (IFA, na sigla em inglês). As importações do produto correspondem a mais de 90% da demanda nacional e causaram um impacto negativo de US$ 3,8 bilhões na balança comercial em 2008.

O geólogo e pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Cerrados, Éder de Souza Martins, destaca as desvantagens do Brasil , que importa cerca de 70% da demanda nacional dos três macronutrientes - nitrogênio, potássio e fósforo (NPK) - utilizados na produção de fertilizantes, frente a outros grandes produtores de alimentos: "Outros países, grandes produtores de alimentos, importam entre 20% e 40% de sua demanda por fertilizantes. Realmente, o Brasil é o único que tem tamanha dependência", disse ele, aproveitando para alertar sobre os indefectíveis “impactos ambientais” que podem ser levantados para uma futura produção de potássio em escala industrial na Amazônia. Segundo Martins, a extração de requer a perfuração de canais profundos por onde se injeta água quente para solubilizar os sais minerais depositados na jazida, incluindo o cloreto de potássio e de sódio (sal de cozinha) e outros subprodutos, que depois são segregados. "A questão é o que fazer com a salmoura. O volume de rejeito aproveitado é uma pequena fração da produção total". [3]

No Brasil, apenas a Vale tem algumas jazidas de potássio exploradas em Sergipe que atende a uma pequena parcela do consumo interno. No exterior, porém, a Vale investe pesado em minas de potássio no Canadá, Argentina e em outros países que, posteriormente, é importado pelo Brasil.

O retorno da Petrobras na exploração e processamento de fertilizantes tem um garnde alcance estratégico para a produção de alimentos no Brasil uma vez que, após sua desmontagem na década de 1990, o setor foi praticamente cartelizado com a forte presença de grandes tradings internacionais que, incidentalmente, financiam e comercializam boa parte da produção do agronegócio no país. 

 

 

Notas:
[1]Planejamento estratégico para a agricultura, Alerta Científico e Ambiental, 18/10/2009
[2]Eldorado do potássio atrai Petrobrás à Amazônia, O Estado de São Paulo, 08/11/2009
[3]Rejeitos de potássio são problema na Amazônia, O Estado de São Paulo, 09/11/2009

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