Home | Ciência & Tecnologia | Copenhague, crônica de um fiasco anunciado

Copenhague, crônica de um fiasco anunciado

Tamanho da fonte: Decrease font Enlarge font

23/out/09 (Alerta em Rede) - A essa altura, é mais que evidente que a Conferência de Copenhague (COP-15), em dezembro próximo, na qual o aparato ambientalista internacional pretendia consolidar um regime de metas de cortes de emissões de carbono para as décadas vindouras, não resultará em nada sequer parecido com isso. O fiasco anunciado já é admitido por todas as partes relevantes, a começar pelo próprio coordenador da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC), Yvo de Boer. “Um novo tratado internacional completo nos termos da Convenção [Quadro] – eu não acho que irá acontecer”, disse ele ao Financial Times de 20 de outubro.

Em troca, de Boer defende a necessidade de “enfocar no que pode ser feito realisticamente e como isto pode ser institucionalizado realisticamente”, além de se “concentrar nos imperativos políticos que deixem claro como os países estão comprometidos [em enfrentar as mudanças climáticas] e se engajar nos cortes de emissões, e que mecanismos cooperativos eles precisam estabelecer”.

Não obstante, Mr. de Boer deixa claro que os países em desenvolvimento precisam se precaver, pois uma grande parte das pressões serão desfechadas contra eles. Textualmente, “isso significa uma decisão abrangente em Copenhague que estabeleça metas individuais para os países industrializados, que decidam o quanto os grandes países em desenvolvimento pretendem se engajar [no corte das emissões] até 2020, e espera-se que coloquem isso no contexto de uma meta de longo prazo”.

O superburocrata-chefe das negociações climáticas da ONU conclui afirmando que Copenhague deveria “decidir um prazo pelo qual essa arquitetura possa ser negociada em alguma coisa abrangente”, algo como um tratado internacional de vinculação obrigatória.

Seja como for, não dá para ocultar que as discordâncias cada vez maiores entre os governos, tanto entre as próprias economias industrializadas, como entre estas e as emergentes, reduziram as expectativas de Copenhague a um mínimo necessário para manter aceso por algum tempo a bucha do balão “aquecimentista”, em função dos colossais interesses econômicos e políticos nela representados. Mas, a julgar pela queda das temperaturas físicas ocorrida nos últimos anos e pelo choque de realidade provocado pela constatação da inviabilidade físico-econômica da substituição em grande escala dos combustíveis fósseis por fontes ditas “renováveis” ou “limpas”, não será fácil manter o balão no ar por muito tempo mais.

Adicionar para: Add to your del.icio.us del.icio.us | Digg this story Digg

Comentários (0 postado):

Poste seu comentário comment

Entre o código que você vê na imagem:

  • email Compartilhar
  • print Versão p/ impressão
  • Plain text Texto
Tags
Nenhuma tag para este artigo