Reações ao IPCC
9/mai/07 (AER) - Entre as muitas reações de desconfiança e indignação diante do catastrofismo misantrópico do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), vale destacar duas delas.
A primeira veio de um importantes cientistas canadense, para quem o atual debate sobre o aquecimento global é "completamente irracional", necessitando de uma abordagem diferente. O professor Tim Patterson, da Universidade Carleton, enfatiza que o dióxido de carbono, em vez de ser o poluente deletério apregoado, é na verdade um nutriente fundamental para as plantas. Ademais, como disse ele ao jornal Standard Freeholder de Ottawa (26/04/2007):
Todo o dinheiro gasto com (o Protocolo de) Kyoto em um ano poderia proporcionar água potável limpa para a África. Nós estamos entrando em uma nova era de ciência com a discussão sobre as forças solares (que influenciam o clima). Eventualmente, Kyoto irá sair do caminho. Neste meio tempo, eu estou assustado com que estejamos gastando milhões que poderiam estar sendo gastos em algo melhor, como a poluição do ar.
Ainda mais interessante foi o fato de o Vaticano ter realizado um seminário internacional de dois dias (26-27 de abril) sobre o tema "Mudanças climáticas e desenvolvimento", com a presença de 80 cientistas e especialistas de 20 países, entre eles os estadunidenses S. Fred Singer e Craig Idso, o italiano Antonino Zichichi e outros (inclusive do campo "aquecimentista").
Zichichi, presidente da Federação Mundial de Cientistas, foi categórico, afirmando que "essa discussão não tem sido conduzida entre cientistas, mas tem sido usada de uma tal maneira que a opinião pública tem a impressão de que somos capazes de explicar o clima do passado, do presente e do futuro. Nada está mais distante da verdade".
No discurso de encerramento, o cardeal Renato Martino, presidente do Conselho Pontifício Justiça e Paz, transmitiu uma clara mensagem: o Vaticano admite as mudanças climáticas, mas não o alarmismo inconseqüente.
Segundo uma nota da agência Zenit (30/04/2007), Martino ressaltou que "a natureza não é algo absoluto, mas uma riqueza depositada nas mãos responsáveis e prudentes do homem", e isso significa também que "o homem tem uma indiscutida superioridade sobre a criação e, em virtude de ser pessoa dotada de uma alma, não pode ser equiparada aos demais seres vivos, nem muito menos considerado elemento de perturbação do equilíbrio ecológico naturalista".
Nesse contexto, afirmou, "o homem não tem um direito absoluto sobre ela, ainda que sim um mandato de conservação e desenvolvimento em uma lógica de destino universal dos bens da terra, que é um dos princípios fundamentais da Doutrina Social da Igreja, princípio que é preciso compaginar sobretudo com a opção preferencial pelos pobres e pelo desenvolvimento dos países pobres".
Ademais, o cardeal explicitou os vínculos entre o ambientalismo e o malthusianismo, dizendo que "a Doutrina Social da Igreja deve enfrentar muitas formas de idolatria da natureza atuais que perdem de vista o homem... Semelhantes ecologismos surgem com freqüência no debate sobre os problemas demográficos e sobre a relação entre população, meio ambiente e desenvolvimento".
O cardeal Martino relatou que, na Conferência internacional do Cairo sobre População e Desenvolvimento em 1994, da qual fez parte como chefe de delegação, "a Santa Sé teve de opor-se, junto a muitos países do terceiro mundo, à idéia segundo a qual o aumento de população nas próximas décadas levaria ao colapso dos equilíbrios naturais do planeta e impediria seu desenvolvimento".
"Estas teses foram já impugnadas e, felizmente, estão em regressão", afirmou. Ao mesmo tempo, acrescentou, "os mesmos que propunham essa visão sustentavam, como meio para impedir o suposto desastre ambiental, instrumentos nada naturais, como o recurso ao aborto e à esterilização em massa nos países pobres com alta natalidade".
"A Igreja propõe uma visão realista. Tem confiança no homem e em sua capacidade sempre nova de buscar soluções aos problemas que a história lhe apresenta. Capacidade que lhe permite opor-se com freqüência às recorrentes, infaustas e improváveis previsões catastróficas", concluiu.



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