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Nuclear já é a segunda fonte de eletricidade no Brasil

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23/ago/07 (AER ) – Em artigo publicado no jornal Valor do dia 16 passado, o ministros da Ciência e Tecnologia, Sergio Resende, e o interino de Minas e Energia, Nelson Hubner, discorrem sobre a necessidade de diversificar as fontes para não faltar energia elétrica no País. Iniciando o artigo sobre os debates provocados pelo anúncio oficial de concluir a usina nucleoelétrica de Angra 3, que classificam como caracterizados ‘mais pela emoção que pela razão’, os ministros assinalam o equívoco em contrapor-se a geração nuclear com a hidrelétrica ou outras fontes de energia.

Dentre as principais razões para ampliar participação de usinas termonucleares na matriz energética destacam: 1) podem estar mais próximas dos centros consumidores, o que diminui o custo e as perdas elétricas nas linhas de transmissão; 2) operam de forma contínua e não têm efeitos de sazonalidade, razão pela qual Angra I e II foram essenciais para minimizar os efeitos da crise de 2001 na região Sudeste; 3) estudos indicam uma tarifa competitiva para as usinas termonucleares, abaixo das tarifas de outras fontes térmicas e muito menores que as de fontes alternativas, como a eólica e a solar.

Para elevar e ampliar esse debate, é imperdível a leitura da edição de julho passado da revista Brasil Nuclear, publicada mensalmente pela Associação Brasileira de Energia Nuclear (ABEN). Dedicada à retomada da construção de Angra 3 e ao Programa Nuclear Brasileiro, a edição tem como destaque a entrevista do presidente da Eletronuclear, Othon Pinheiro.

Na entrevista, Pinheiro ressalta que, no ano passado, a energia nuclear foi a segunda forma de geração elétrica do País: ‘No sistema interligado, 91,9% da energia produzida foi hidrelétrica; em segundo lugar, com 3,3% , ficou a energia nuclear. Isso significa que, no ano passado, a energia nuclear gerou mais do que todas as usinas a gás juntas, mais do que todas as usinas a carvão juntas, ou seja, o insumo que mais gerou energia elétrica, depois da água, foi o urânio. Então, a energia nuclear não é mais coisa do futuro, é coisa do presente”.

Perguntado sobre qual a fonte energética que apresenta mais vantagens, Pinheiro respondeu que

Não existe uma energia melhor que a outra. Todas são boas. É preciso formar uma cesta de fontes energéticas que garanta o melhor preço médio para a sociedade e, ao mesmo tempo, com o menor impacto ambiental possível. Isso faz com que a gerência do estoque necessário ao suprimento de energia no país seja bastante complexa. A biomassa, por exemplo, ainda apresenta problema na estocagem: é preciso levar a cana aos centros que produzem energia e se a distância é muito grande, gasta-se muito dinheiro em transporte. Já a energia nuclear não tem esse problema. Pelo contrário, sua grande vantagem é ter um custo de estocagem muito baixo. É imbatível, quando comparado com o das demais térmicas.



Para que isso aconteça,

O urânio, estocado na forma de óxido, o UO2, ou mesmo sob a forma de yellow cake, gera uma quantidade de energia muito grande. Uma central de 1000 MW, funcionando o ano todo, consome o equivalente a 225 toneladas de yellow cake. Ora, nenhum outro combustível produz tanta energia com um volume tão pequeno. Além disso, a quantidade de rejeito produzido é muito pouca, cerca de 25 metros cúbicos por ano. Ou seja, a estocagem do combustível é simples e o volume de rejeitos produzidos é muito pequeno. Temos, então, duas vantagens difíceis de serem batidas por outras fontes térmicas.


Adiante, Pinheiro menciona a importância estratégica das reservas conhecidas e estimadas de urânio no Brasil, equivalente a algo entre 40 e 50 bilhões de barris de petróleo. Sobre o posicionamento do Brasil no que concerne ao domínio da tecnologia nuclear, Pinheiro foi enfático:

O Brasil encontra-se em uma posição privilegiada. Ele é um dos três únicos países, ao lado dos Estados Unidos e Rússia, que possuem reservas de urânio e detêm a tecnologia do ciclo do combustível. Os demais possuem matéria-prima mas não dominam a tecnologia, ou vice-versa: o Canadá e a Austrália são ricos em urânio mas não têm a tecnologia do enriquecimento; no caso oposto estão a China, cujas reservas de urânio são muito pequenas, e a França, a Alemanha e o Japão, que não têm reservas. Temos, portanto, uma vantagem diferencial muito grande, da qual não podemos abrir mão.


A revista Brasil Nuclear é distribuída gratuitamente.
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