A burla nuclear do Greenpeace
17/out/08 (Alerta em Rede) – Como é de seu feitio, o Greenpeace fez um grande estardalhaço ao anunciar que havia detectado contaminação por urânio na água potável de Caetité, na Bahia, onde a INB (Indústrias Nucleares do Brasil) explora o minério há mais de década. A denúncia da ‘ONG atômica’ faz parte do seu mais recente libelo contra o setor nuclear brasileiro, ‘Ciclo do perigo, impactos da produção de combustível nuclear no Brasil’.
Diz o Greenpeace que recolheu sete amostras de solo e da água usada para consumo humano e animal em um raio de 20 quilômetros no entorno da mina e mandou examiná-las um laboratório independente no Reino Unido, mas sem revelar o nome da instituição. Duas dessas amostras, ainda segundo a ONG, apontaram concentração de urânio acima dos valores recomendados pela Organização Mundial de Saúde (OMS).
A denúncia do Greenpeace foi imediatamente rebatida pelo diretor de recursos minerais da INB, Otto Bittencourt Netto: "De dois em dois meses a INB colhe água da região para ser examinada e os resultados são submetidos à avaliação do Ibama e do CNEN (Conselho Nacional de Energia Nuclear) e nunca houve contaminação de água por nosso trabalho de mineração de urânio, disse ele, acrescentando, com ironia, que o minério está naquela região há 700 milhões de anos e "Se você cavar um poço por lá, a água vai ter traços de urânio [natural]". Além disso, rechaçou a informação da ONG que o acúmulo de urânio não-refinado no organismo humano pode, ao longo dos anos, causar câncer e gerar problemas renais: . "Não há fundamento no relatório do Greenpeace. Não há evidências científicas de que o urânio cause doenças", afirmou Netto. [1]
A prova que o Greenpeace quer mesmo é apavorar a população e incitá-la contra o desenvolvimento do setor nuclear no Brasil está no próprio relatório citado que ressalva:
“Considerando seu escopo limitado,esta pesquisa não responde totalmente se a operação de mineração de urânio causa contaminação ambiental no entorno da mina de Caetité”. E
“Os resultados da análise gamaespectrométrica indicam a presença de radionuclídeos naturais das séries urânio-238 tório-232 em duas lagoas naturais no entorno da mina. Isso pode ser causado pela presença natural de urânio e tório no solo, mas os eventos de enchentes e transbordamentos na mina de urânio podem ter desempenhado um papel do aumento das concentrações naturais.” E ainda
“De maneira geral, a natureza limitada deste estudo significa que os seus resultados devem ser considerados apenas como indicativos, longe de esgotar todas as possibilidades de análise.”
Essa mesma tática de ‘guerra irregular’ contra o setor nuclear foi utilizada pelo Greenpeace na Argentina, em março de 2005, ao divulgar com grande estardalhaço os resultados de uma perícia judicial que, alegadamente, teria constatado a contaminação de três quartos dos poços de água da região de Ezeiza, na Grande Buenos Aires, com resíduos radiativos provenientes do Centro Atômico Ezeiza. Em resposta, a CNEA (Comissão Nacional de Energia Atômica) convocou os préstimos de uma comissão internacional de peritos da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Organização Mundial de Saúde (OMS), Comitê Científico das Nações Unidas para o Estudo das Radiações Atômicas (UNSCEAR), Organização das Nações Unidas para os Alimentos e a Agricultura (FAO) e Organização Panamericana de Saúde (OPAS). O relatório da comissão, divulgado em junho de 2006, estabelece claramente que “o conteúdo de radioatividade e urânio na água nas vizinhanças do Centro Atômico Ezeiza está dentro dos parâmetros normais para muitas regiões da Argentina, e é inferior ao de muitas outras regiões do país”. [2]
Essa nova ofensiva do Greenpeace contra o setor nuclear brasileiro já era esperada. Como se recorda, em setembro passado o aparato ambientalista internacional lançou dois ‘manifestos’ contra o setor: o primeiro, assinado pela Friends of the Earth (Amigos da Terra), International Rivers Network, o próprio Greenpeace e ONGs domésticas satelizadas, vituperou contra a ‘tentativa de nuclearização da América do Sul’; o outro, da lavra do FBOMS (Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, um agregado de ONGs de vários matizes), foi dirigido especificamente contra o a política nuclear do governo Lula.
O fato é que o Establishment anglo-americano está realmente alarmado com o avanço da tecnologia nuclear no Brasil (4 novas usinas nucleares já anunciadas) e, igualmente, com os programas comuns estabelecidos com a Argentina que estão em andamento. Esse novo relatório do Greenpeace visa, particularmente, a implantação da Usexa (Usina de Hexafluoreto de Urânio, o gás UF6), cujas obras já começaram no Centro Experimental de Aramar, da Marinha de Guerra, que deverá estar concluído em 2010 e que permitirá a produção comercial de urânio totalmente enriquecido no Brasil. [3]
Notas:
[1]Greenpeace acusa INB de contaminação por urânio, Gazeta Mercantil, 17/10/2008
[2]Greenpeace, obscurantismo anticientífico na América do Sul, MSIa, 01/06/2008
[3]Avança o Programa Nuclear brasileiro, Alerta Científico e Ambiental, 03/09/2008



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