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O anacronismo "verde" contra as nucleares

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28/set/09 (Alerta em Rede) – Muito provavelmente, a geração nucleoelétrica na Alemanha deve experimentar uma reativação tão logo a chancelar Angela Merkel, reeleita domingo passado, forme um novo governo de coalizão entre seu partido, a União Democrática Cristã (CDU), e o Partido Democrático Livre (FDP).

Como tanto o CDU quanto o FDP defendem a energia nuclear, a novo governo deve mandar às favas a desativação progressiva das usinas nucleoelétricas em operação e que respondem por quase um terço da eletricidade gerada no País. Como se recorda, o antigo governo da Alemanha, formado pela coalizão do SPD (socialistas) com o Partido Verde e conhecida como coalizão “verde-vermelha”, havia determinado que todas as usinas nucleares fossem fechadas até 2021, quando expira o prazo de vida útil da última delas. O esperado é que o novo governo tome as medidas legais cabíveis para conceder, mediante melhoramentos e outras providências necessárias, uma extensão da vida útil das usinas por 20 anos ou mais, como vem ocorrendo nos EUA e outros países. [1]

O fato é que os alemães não têm como substituir a geração nucleoelétrica por fontes renováveis (centradas na eólica e solar) como anteriormente planejado, mesmo que estas já respondam por 11% da geração de eletricidade no país. Os prognósticos mais otimistas indicam que, sem as nucleares, em 2020 a diferença entre demanda e oferta de eletricidade no país seria de pelo menos 15 mil MW e com tarifas explosivas. [2]

Essa mesma mudança maiúscula com relação à geração nucleoelétrica, motivada pela realidade sobre segurança energética, está ocorrendo também em outros países europeus como a Itália, Suécia e mesmo a Grã-Bretanha, um fator que certamente pesará nas discussões sobre mudanças climáticas na Conferência de Copenhague (COP-15) marcada para dezembro que vem.

Por isso mesmo, a ferrenha oposição ambientalista à construção de usinas nucleares no Brasil, uma das bandeiras do Partido Verde e sua candidata à presidência da República nas eleições de 2010, Marina Silva, soará cada vez mais como uma postura ideológica anacrônica que atinge em cheio o combate ao quecimento global e já flagrantemente derrotada no berço do movimento “verde”.



Notas:
[1]Germany eyes nuclear revival, UPI, 28/09/2009
[2]Verdes criam 'encruzilhada elétrica' para a Alemanha, Alerta Científico e Ambiental, 03/08/2008

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