Semana "atômica"
5/out/09 (Alerta em Rede) – Dois importantes eventos ocorridos semana passada no Rio constituem uma clara demonstração da pujança do que poderíamos chamar de renascimento do setor nuclear no Brasil.
O primeiro deles foi a International Nuclear Atlantic Conference (Inac 2009), de 27 de setembro a 2 de outubro, promovida pela Associação Brasileira de Energia Nuclear (Aben); o outro, na sexta-feira 2, foi o seminário "Energia Nuclear: Desmistificação e Desenvolvimento", organizado pela Eletronuclear.
A Inac 2009, que foi aberta pelo Ministro da Defesa, Nelson Jobim, teve como principal foco as discussões sobre a contribuição que as inovações do setor podem dar em prol do desenvolvimento nacional. A conferência incluiu também o XVI Encontro de Física de Reatores e Termo-Hidráulica (Enfir), o IX Encontro de Aplicações Nucleares (Enan) e o I Encontro da Indústria Nuclear (Enin).
Houve também vários eventos paralelos, dentre os quais o workshop sobre tratamento de rejeitos radioativos em usinas nucleares promovido pelo Electric Power Research Institute (Epri), dos EUA; a 8ª Conferência sobre os Efeitos de Baixas Doses de Radiação (Lowrad 2009), realizada pelo Conselho Mundial de Trabalhadores Nucleares (Wonuc) e pela Low Radiation International Network; o II Encontro Nacional de Informação Regulatória (Enir), realizado pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen); e o II Seminário Sobre Regulação e Direito Nuclear, promovido pela Advocacia-Geral da União (AGU).
Durante o evento, foi lançado o livro “Energia nuclear: dínamo da reconstrução econômica mundial”, do físico e matemático Jonathan Tennenbaum, publicado pela Editora Capax Dei, que edita este Alerta.
Guilherme Camargo, presidente da Aben, esclareceu que um dos objetivos do congresso é desmistificar a questão dos rejeitos nucleares como um aspecto negativo da energia nuclear, ressaltando a prioridade dispensada pelo setor à guarda e tratamento dos rejeitos, conhecidos pejorativamente como “lixo” nuclear: "Ao contrário de outras alternativas industriais, e mesmo as alternativas energéticas, que dispersam os rejeitos no meio ambiente, o setor nuclear guarda os seus rejeitos produzidos. O rejeito radioativo, como nós brincamos, tem CPF e identidade. E está disponível para quem quiser ver", afirmou, acrescentando que isso representa uma vantagem e não uma desvantagem, como muitos podem pensar. [1]
Por outro lado, Camargo acha necessária uma tomada de ações mais concretas e imediatas pelo Brasil para que o País possa realmente tirar proveito do renascimento do nuclear e criticou a ausência de "políticas consistentes e duradouras para o setor nuclear" no País citando, como exemplos, o acordo entre Brasil e Alemanha, na década de 70, e o programa autônomo de tecnologia do submarino nuclear e de ultracentrífugas, todas com grandes perspectivas, segundo ele, mas que se "completaram apenas em parte": "Não quero acreditar que esse tipo de completar-se apenas em parte seja uma característica inevitável do Brasil. Espero que agora o País possa dar um novo impulso, uma nova arrancada sem interrupções, e que o nuclear possa ser uma opção duradoura para as próximas décadas e séculos", disse ele.
Foi, de fato, uma semana atômica.
Notas:
[1]Aben: experiência internacional é fundamental na capacitação para a área nuclear, Setorial News - Energia - 28/09/2009



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