O urânio de Caetité e o "alarmismo nuclear" do Greenpeace
26/jan/10 (Alerta em Rede) – Semana passada, a Secretaria da Saúde da Bahia e o Inga (Instituto de Gestão das águas e Clima) notificaram a Prefeitura de Caetité e a INB (Indústrias Nucleares do Brasil) para suspenderem imediatamente o consumo de água em três pontos onde foi detectada a presença de radioatividade acima do permitido pelo Ministério da Saúde, sendo que um deles é utilizado para abastecimento de moradores no povoado de Barreiro abastece cerca de 15 famílias desde 2007.
A suspensão foi determinada pelo diretor geral do Inga, Julio Rocha, logo após o recebimento dos resultados da última análise de coleta de amostra de água realizada pelo órgão na região de Caetité, que abriga uma mina de urânio operada pela INB, no início de dezembro do ano passado. [1]
Em nota de esclarecimento, a INB descartou a responsabilidade da mina na contaminação do poço de água da comunidade de Barreiro: [2]
- dois dos três poços notificados pelo Inga estão dentro da unidade da INB e são utilizados somente para fins industriais;
- o poço do povoado de Barreiro, localizado na zona rural da cidade, onde foi encontrado um índice de radioatividade alfa 0,3 na água, fica a seis quilômetros da mina de urânio, não sendo possível pelo caminho natural das águas ter tido contato com material proveniente da sua unidade de produção;
- os técnicos da empresa informam que podem ocorrer eventuais aumentos de concentrações de urânio nas águas subterrâneas do município de Caetité, já que existe uma grande reserva natural de urânio naquela região.
Incidentalmente, ao longo desta semana (de 25 a 3 de fevereiro), uma missão da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) da ONU e a Comissão Nacional deEnergia Nuclear (Cnen) realizam uma avaliação de eficiência, segurança e qualidade da unidade de produção de concentrado de urânio da INB em Caetité. A Missão UPSAT (Uranium Production Site Appraisal Team) é um programa desenvolvido pela Agência para aprimorar a performance das unidades produtivas do ciclo do combustível nuclear. É importante assinalar que a visita foi solicitada voluntariamente pela INB e a Agência reuniu especialistas da Austrália, da França, Canadá e República Checa para promover a troca de experiências entre os membros da equipe e da indústria. Além disso, os especialistas apontarão os pontos fortes, aqueles que estão adequados e os pontos que podem melhorar na unidade. O resultado esperado é demonstrar que a INB trabalha com eficiência na produção industrial, seguindo os padrões internacionais de segurança.
Odair Gonçalves, presidente da Cnen, garante que, no caso do poço de Barreiro, "não há como a contaminação ter sido causada pela INB", explicando que o curso da água passa primeiro na localidade e, só depois, na empresa, a caminho do mar. "Caetité é uma região uranífera. Com isso, naturalmente, pode vir a apresentar, em alguns pontos, traços de água com índices de radioatividade mais altos. Isso é perfeitamente normal", acrescentou. "Não é a primeira vez que esse tipo de denúncia é feito em Caetité. Em outras situações apresentaram inclusive dados falsos que não foram confirmados em análises posteriores". [3]
Mesmo sem citar nomes, Gonçalves referia-se ao Greenpeace que, em fins de 2008, fez um grande alarde sobre contaminação radioativa em alguns poços de água na região mas nunca apresentou os dados e as amostras que diz ter então coletado. Ano passado, a “ONG atômica” voltou à carga sobre outra suposta “contaminação radioativa” que teria sido causada por um vazamento de “30 mil litros de concentrado de urânio” proveniente da mina da INB. Ocorreu, de fato, um vazamento dentro da unidade de mineração de INB, mas foi de solvente orgânico (querosene) e em quantidade muito inferior ao alarmado pela ONG. [4]
Oportunista como sempre, o Greenpeace deslocou prontamente uma “equipe” para Caitité para acompanhar a “finalização dos trabalhos de análise do Inga” e a visita de técnicos da AIEA-Cnen. O coordenador da campanha anti-nuclear da ONG, André Amaral, aproveitou para declarar, com empáfia, que "O que está acontecendo em Caitité comprova que a insegurança e prepotência fazem parte do DNA da indústria nuclear". Essa agressividade retórica do Greenpeace revela sua grande preocupação com a crescente perda de credibilidade perante a opinião pública que vai percebendo, aos poucos, que o alarmismo irresponsável é parte integrante do DNA da ONG.
Notas:
[1]Mais poços com alto índice de radiotividade encontrados em Caitité, TN Sustentáqvel, 25/1/2010
[2]Nota de esclarecimento, INB, 23/01/2010
[3]Cnem inicia investigação sobre suspeita de radiação na água de município baiano, Agência Brasil, 25/01/2010
[4]Águas de Caetité: mais um “mico nuclear” do Greenpeace, Alerta Científico e Ambiental, 08/12/2009



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