Energia nuclear como fator de sobrevivência no século XXI
29/set/09 (Alerta em Rede) – O suíço Andre Maïsseu, presidente do Conselho Mundial de Trabalhadores Nucleares (Wonuc, sigla em inglês), que está no Rio participando do International Nuclear Atlantic Conference (Inac, sigla em inglês), concedeu hoje uma entrevista ao jornal O Globo onde critica duramente a pressão ambientalista que está criando uma “paranóia por segurança” na União Européia e define a adoção da energia nuclear como uma espécie de crivo para os países que irão sobreviver ou não no século XXI:
A seguir, os principais trechos da entrevista:
O GLOBO: O Brasil e a França estão virando fortes parceiros comerciais, inclusive na área nuclear. Só que entidades ambientalistas, como é o caso do Greenpeace, criticam duramente a gigante francesa Areva. Se os ambientalistas estiverem com a razão, isto significa que o Brasil estaria correndo o risco de fechar negócio com um parceiro ultrapassado do ponto de vista tecnológico?
ANDRE MAÏSSEU: As críticas do Greenpeace e de outras entidades ambientalistas demonstram incompetência ou uma vontade deliberada de manipular a opinião pública. Ao contrário do que dizem essas entidades, o European Pressurized Reactores (EPRs) é um reator de terceira geração, que utiliza uma tecnologia madura, perfeitamente conhecida e aprovada. [...]
O GLOBO: Não seria então o caso de comprar os modelos mais novos?
MAÏSSEU: A novidade dos EPRs de quarta geração são os equipamentos de segurança complementares. Só que estes equipamentos estão sendo fabricados num clima de paranóia de segurança, que tomou conta das mentes dos funcionários da União Europeia.
É que eles estão vivendo hoje sob pressão constante dos grupos ambientalistas.
Considero estes equipamentos de segurança inúteis, já que eles não aumentam a segurança dos reatores. Apenas pressionam os custos de produção do equipamento, o que acaba tornando o quilowatt/ hora da energia nuclear menos competitivo. [...]
O GLOBO: O senhor acredita que a energia nuclear é a tecnologia do século XXI?
MAïSSEU: A tecnologia nuclear vai ajudar a construir um novo ciclo que, em vez de superexplorar os recursos naturais, investirá no desenvolvimento das capacidades humanas.
A Idade Média foi capaz de crescer por meio da exploração da energia hidrelétrica. A Grã-Bretanha assumiu a liderança dos países desenvolvidos com a mineração de carvão no século XIX. Os EUA fizeram o mesmo com o petróleo e, assim, impôs sua liderança.
Os países que escolherem, no século XXI, a energia nuclear vão sobreviver, enquanto os outros tendem a desaparecer. Por não produzir resíduos e não emitir gases de efeito de estufa, a energia nuclear oferece à humanidade a possibilidade de viver, nos próximos dois mil anos, com recursos energéticos abundantes e a um custo mais competitivo. O Brasil só tem a ganhar.



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