Borlaug e Watson, ganhadores do Prêmio Nobel, defendem transgênicos
10/fev/00 (AER) ? Os ganhadores do prêmio Nobel, James Watson e Norman Borlaug, juntaram-se a mais de mil outros cientistas de todo o mundo para endossar a "Declaração de Cientistas em Apoio à Biotecnologia Agrícola". Como se recorda, James Watson e seu colega Francis Crick foram nada menos que os descobridores da estrutura helicoidal do DNA e ambos dividiram o Prêmio Nobel de medicina em 1962 por sua obra. Já Norman Borlaug, considerado o "Pai da Revolução Verde", desenvolveu muitas das variedades híbridas de trigo utilizadas para aumentar a produção de grãos nas décadas de 1950, 60 e 70, e ajudou a disseminar a "Revolução Verde" pela América do Sul e Ásia. Borlaug foi agraciado com o Prêmio Nobel em 1970 por seus es-forços para aumentar a produção mundial de alimentos.
Por sua importância e significação contra as forças obscurantistas e mal-thusianas que fazem de tudo para impedir a produção de alimentos transgênicos em nosso país, tipificadas pelo governo petista do Rio Grande do Sul e a sua aliança com a ONG "caça-níqueis" Greenpeace, publicamos abaixo a Decla-ração, na íntegra.
Nós abaixo-assinados, membros da comunidade científica, cremos que as téc-nicas de recombinação de DNA constituem meios poderosos e seguros para a modificação de organismos e que podem contribuir substancialmente para o melhoramento da qualidade de vida por meio do aperfeiçoamento da agricultu-ra, dos cuidados à saúde e do meio ambiente.
A modificação genética responsável de plantas não é nova nem perigosa. Mui-tas características, tais como a resistência a pestes e a doenças, têm sido roti-neiramente introduzidas em cultivares pelo método tradicional de reprodução sexual ou procedimentos de culturas de células. A adição de genes novos ou diferentes no organismo por meio de técnicas de recombinação de DNA não acrescenta, intrinsecamente, riscos novos ou maiores em relação aos organismos modificados por métodos mais tradicionais; a segurança dos produtos comercializados é posteriormente garantida por meio das regulamentações vigentes para salvaguardar a oferta de alimentos. As novas ferramentas genéticas oferecem maiores flexibilidade e precisão na modificação de cultivares.
Nenhum alimento, seja produzido pela recombinação de DNA ou pelos méto-dos tradicionais, são totalmente isentos de risco. Os riscos colocados pelos a-limentos são uma função de características biológicas destes alimentos e de genes específicos que foram usados, e não do processo empregado em seu desenvolvimento. Nosso objetivo como cientistas é assegurar que qualquer novo alimento produzido pelas técnicas de recombinação de DNA sejam ainda mais seguros que aqueles já consumidos atualmente.
Os atuais métodos de regulamentação e desenvolvimento estão funcionando muito bem. As técnicas de recombinação de DNA já foram usadas no desen-volvimento de cultivares "ambientalmente amigáveis" que apresentam um maior rendimento e permitem que os produtores reduzam a utilização de pesticidas e herbicidas sintéticos. A próxima geração de produtos promete benefícios ainda maiores aos consumidores, tais como o melhoramento nutritivo, ó-leos mais saudáveis, aumento do conteúdo vitamínico, maior vida útil de armazenamento.
Por meio de um desenvolvimento sensato, a biotecnologia pode também re-solver problemas de degradação ambiental, a fome e a pobreza nos países em desenvolvimento ao permitir maior produtividade e maior valor nutritivo. Os cientistas de centros agrícolas internacionais, universidades e instituições públicas de pesquisa em vários lugares estão fazendo experimentos especificamente para serem utilizados nos países em desenvolvimento.
Expressamos nosso apoio ao uso da recombinação de DNA como uma ferramenta poderosa para a obtenção de um sistema agrícola produtivo e sustentá-vel. Sugerimos também aos formuladores de políticas que utilizem-se de princípios científicos seguros na regulamentação de alimentos produzidos com a recombinação de DNA, e que avaliem a evolução destes produtos baseando-se em suas características e não nos processos utilizados em seu desenvolvimento.



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