O outro lado da 'pegada ecológica' do WWF
15/jul/02 (AER) ? Segundo o relatório "Planeta Vivo", lançado semana passada pelo WWF (ver nota acima), um africano jamais poderia almejar alcançar um padrão de vida similar ao do estadunidense médio porque seriam necessários quatro "planetas Terra" para tal. É que a "pegada ecológica mundial" definida pelo relatório é de 2,3 ha/pessoa e a dos EUA 9,7.
Como bem argumenta o produtor estadunidense Stephen Budiansky, em carta publicada pela revista Nature (cf. Nature vol. 416, p 581 [2002] 11 April 2002) referindo-se à falácia do índice, a produção agropecuária é a atividade humana que mais utiliza a terra: cerca de 10% dos 13 bilhões de hectares das áreas agricultáveis para a agricultura e 25% para os pastos permanentes. No caso dos EUA, o mais gritante é que a área total utilizada para produzir alimentos permanece virtualmente a mesma desde 1945. Como resultado, de 1945 a 1997, a área utilizada para a produção per capita de grãos no país declinou 50%, apesar da população ter crescido 177% no período e do país ser o maior exportador mundial de alimentos.
Por outro lado, enquanto a área de grãos plantada nos EUA é de 0,4 ha per capita e de 0,3 num país sub-saariano, portanto, quase equivalentes, a alimentação do estadunidense médio contém 10 vezes mais calorias que o do sub-saarense e é muito mais rica e diversificada. A explicação para este paradoxo é simples: produtividade. Por exemplo, enquanto os produtores estadunidenses utilizam 114 kg de fertilizantes por hectare, o africano usa 14 kg. Isto porque à medida que os países se desenvolvem, a produtividade agrícola cresce substancialmente. Desde 1945, a produtividade do trigo nos EUA dobrou e a do milho triplicou. Assim, a utilização de fertilizantes, híbridos e outras variedades de grãos com alto rendimento pode fazer com que países sub-desenvolvidos alcancem a dieta padrão dos estadunidenses com pouco ou quase nenhum aumento da área cultivada.
Mais uma demonstração simples de que a tal "pegada ecológica" do WWF não passa de uma fraude para enganar os incautos.



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