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Brasil pode participar do projeto para construir reator de fusão nuclear

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1/jul/05 (AER) ? Os países participantes do projeto ITER - Reator Termonuclear Internacional Experimental, em sua sigla em inglês - reunidos na terça 28 em Moscou, decidiram que o primeiro reator termonuclear experimental será construído na localidade de Cadarache, no sudeste da França. O anúncio foi feito por uma fonte da delegação russa durante a reunião dos representantes da Rússia, Estados Unidos, União Européia (UE), China, Japão e Coréia do Sul.

O reator termonuclear se baseia na fusão nuclear ? o mesmo processo que ocorre no interior do Sol e outras estrelas ? onde os núcleos de dois isótopos de hidrogênio se fundem para formar hélio e liberaram quantidades gigantescas de energia renovável, limpa e barata. A energia termonuclear é uma das alternativas mais confiáveis para a humanidade enfrentar a crise energética inevitável quando se esgotarem no planeta as reservas de combustíveis convencionais, como petróleo, gás e carvão.

O projeto do ITER se baseia no conceito do tokamak desenvolvido por cientistas russos, no qual bobinas magnéticas supercondutoras colocadas em torno de um vaso toroidal (em forma de rosca) confinam e controlam fluxos de plasma, induzindo a formação de uma corrente elétrica através do plasma. As reações de fusão ocorrem quando o plasma está suficientemente quente, denso e confinado para que os núcleos atômicos no plasma comecem a se fundir entre si. Os idealizadores do ITER esperam que ele possa gerar até 500 MW de eletricidade durante algumas centenas de segundos. A construção do primeiro reator experimental de fusão nuclear, a qual deverá estar concluída em 2012 e estima-se que sua versão comercial ainda levaria uns 30 anos para ser operacionalizado.

Outros países poderão participar do projeto, como o Brasil e a China.

O Brasil, por exemplo, pode se envolver no projeto por possuir as maiores reservas de nióbio do mundo (dois terços das quais localizadas em Minas Gerais e uma quantidade ainda não especificada no Alto Rio Negro, no Amazonas). O metal, um poderoso condutor, será usado para construir molas gigantes e gerar um campo magnético para conduzir o processo de fusão nuclear dentro do reator.

Segundo o principal conselheiro científico da Grã-Bretanha, sir David King, quando o projeto for posto em prática, haverá um grande mercado para o nióbio. King também lembra que há cerca de cem pesquisadores brasileiros com PhD trabalhando no campo da fusão nuclear, que "podem dar uma grande contribuição ao projeto". Uma delegação da Comissão Européia pode visitar o Brasil em breve para estudar alternativas de inclusão no projeto. Hoje, o país que deseja tornar-se parceiro necessita contribuir com no mínimo 10% dos custos por dez anos. [1]

Já a China pretende aproveitar sua participação no Iter para construir seu próprio reator de fusão termonuclear segundo informou hoje a imprensa estatal [2]. "Projetos de cooperação internacional como o Iter nos permitem conhecer de perto as tecnologias mais avançadas do mundo. Uma vez dentro do consórcio mundial, temos direito a compartilhar os conhecimentos de primeira categoria", disse um físico chinês. O objetivo dos cientistas chineses é "construir reatores de fusão termonuclear com nossos próprios esforços", destacou à agência oficial Xinhua o especialista, que preferiu manter o anonimato. Segundo ainda o mesmo informe, cientistas chineses começaram a desenvolver a fusão há quatro décadas, nas montanhas do sudoeste da província de Sichuan, no sul do país. Atualmente, a Academia de Ciências da China está desenvolvendo um protótipo do Iter, o Supercondutor Experimental Avançado Tokamak, avaliado em 200 milhões de iuanes (US$ 24 milhões) e cuja finalização está prevista para o fim do ano.

Porém, quando se fala em avanço científico-tecnológico em áreas cruciais para a humanidade como a da energia, imediatamente o aparato ambientalista se mobiliza em contrário. Este é o caso do ITER que para o Greenpeace se trata de um projeto "ridículo" e para a rede Sortir du Nucleaire, que reúne 718 ONGs antinuclear, que classificou o projeto como "um buraco-negro financeiro" (por ter um orçamento de 10 bilhões de euros no prazo de 30 anos) e perigoso porque a manipulação que se pretende realizar com o hidrogênio ainda é desconhecida. [3] Certamente os ambientalistas invocarão o obscurantista "Princípio da Precaução" para obstaculizar o ITER. [050701a]

[1]"Brasil pode fazer parte de projeto do reator Internacional", O Estado de São Paulo, 28/06/05
[2]"China terá reator de fusão termonuclear próprio", EFE, 01/07/05
[3]France Targets Greenhouse Gas, Nuclear Plan to Help, REUTERS, 01/07/05].




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Comentários (1 postado):

Clério de Castro Ruffini on 05 October, 2009 23:52
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O projeto do ITER é gigantesco, e me parece fundamental na perspectiva energética do futuro, quando as fontes energéticas tradicionais estarão exgotadas. O Brasil, detentor da maior reserva de nióbio (mineral essencial no controle da elevadíssima temperatura a ser produzida no interior do reator), não pode se alheiar a um projeto de tal magnitude, sobretudo se considerarmos que grandes reservas desse estratégico mineral estão em áreas de nossas reservas indígenas, sob os olhares percucientes de organizações alienígenas ali localizadas, a serviço de perigosas ambições externas, ligadas a nossa soberania.
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