Uma demão de verde
26/set/07 (AER) - Em 1988, a premiada jornalista canadense Elaine Dewar começou a trabalhar em um artigo curto e aprovador para a revista Saturday Night, sobre a ajuda que certos grupos ambientais, como a Cultural Survival, WWF e outros, estavam proporcionando aos índios caiapós para defender a Floresta Amazônica. Logo, ela descobriu que os caiapós estavam ganhando muito dinheiro dos garimpeiros e madeireiros que exploravam as suas terras, e a história tomou outro rumo. A partir daí, ela passou a seguir uma trilha de milhões e milhões de dólares, em um circuito integrado de agências governamentais, fundações e empresas privadas, organizações não-governamentais e ativistas ambientais e indigenistas, que se empenhavam em influenciar as políticas públicas em três continentes. O resultado, sete anos depois, foi Uma demão de verde, que a Capax Dei Editora apresenta agora em língua portuguesa.
Com um texto que se lê como uma novela de mistério, Uma demão de verde segue os passos da autora desde uma arrecadação de fundos para os caiapós, em Toronto, até a Floresta Amazônica e a gabinetes refrigerados em Ottawa, Washington, Rio de Janeiro, Brasília, São Paulo e Genebra. No caminho, ela conhece alguns dos impressionantes personagens que atuam nos bastidores do ambientalismo internacional – o empresário-político Maurice Strong, Anita Roddick, da cadeia britânica Body Shop, e ativistas que dirigem importantes ONGs do Canadá e dos EUA. Ela também examina alguns perturbadores aspectos dos relacionamentos entre ONGs, corporações “verdes” e governos:
* Por que algumas ONGs desorientam o público com informações incorretas, para arrecadar fundos?
* Por que certas ONGs do Canadá e dos EUA têm em suas diretorias representantes de grandes empresas e de seus governos?
* Por que esses governos financiam ONGs estrangeiras com atuação política em seus países?
Para o Brasil, que ocupa um lugar central na trama, as respostas a essas e outras perguntas são fundamentais.
Elaine Dewar aprendeu o seu ofício na revista Maclean’s. Desde 1976, trabalha como jornalista independente, escrevendo sobre assuntos políticos, empresariais, ambientais e científico-tecnológicos. Por várias vezes, recebeu o National Magazine Award, um dos mais prestigiosos prêmios jornalísticos do Canadá. Além de Uma demão de verde (1995), escreveu Bones: Discovering the First Americans (2001) e The Second Tree: Of Clones, Chimeras and Quests for Immortality (2004). P0r este último, recebeu o Nereus Writer’s Trust Non-FictionPrize, concedido anualmente à melhor obra de não-ficção de um autor canadense.
Uma demão de verde: os laços entre grupos ambientais, governos e grandes negócios. Elaine Dewar. Rio de Janeiro, Capax Dei, 2007, 528 p., R$ 70,00.
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faço mestrado em direito ambiental na universidade do amazonas, este site tem muitas matérias esclarecedoras para o público acostumado a discursos meramente panfletários.
http://www.depauperoosimproperios.blogspot.com/
O que prevalece nós sabemos, é o verde impresso nas notas, seja em reais, dolares ou euros...vale quem dar mais. E todos nós pagamos o pato....
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