Rumo ao Pacífico
2/set/08 (Alerta em Rede) – A construção da Carretera Interoceanica Sur – como é conhecida no Peru – tem trazido grandes expectativas às populações mais diretamente envolvidas com a rodovia, que liga o Acre ao Pacífico.
A parte peruana da rodovia tem pouco mais de 1.000 km e começa em Iñapari, na fronteira com o Brasil, e passa por Puerto Maldonado e Puente Inambari, onde se divide. O trecho principal vai até Urcos (perto de Cuzco), onde já se liga à rede rodoviária peruana e dali para Juliaca. O outro trecho vai diretamente de Iñambari a Juliaca, onde novamente se bifurca em direção aos portos de Matarani e Ilo, como indicado no mapa.
As obras começaram em 2006, com término previsto para 2010, mas o consórcio que a constrói, o Conirsa (liderado pela empreiteira brasileira Odebrecht), espera concluí-la até 2009. [1]
O Peru espera que a rodovia seja uma alternativa para as exportações brasileiras destinadas à bacia do Pacífico, o que é discretamente corroborado por autoridades brasileiras, dado que para algumas regiões do Brasil o frete custará menos que o das opções atuais, o transporte marítimo através do Canal do Panamá ou contornando o extremo sul da América do Sul. Para os grãos do Centro-Sul, a Estrada do Pacífico também soa conveniente: de Paranaguá até a Ásia são 15 mil milhas marítimas; de Ilo, 9 mil.
Evidentemente, esse fluxo de transporte vai propiciar a criação de uma série atividades econômicas no Peru. Cálculos do governo peruano indicam que os efeitos internos da rodovia pode elevar o PIB do país em 1,5%, o que pode ser comprovado com as melhorias advindas dos trechos já concluídos do projeto.
No lado brasileiro, a rodovia BR-317 tem 427 km que começam na fronteira do Acre com o Amazonas e vai até Assis Brasil, cidade lindeira a Iñapari. A BR-317 está quase concluída, faltando apenas os 62 km de asfalto, no lado amazonense, até a cidade de Boca do Acre (apenas semana passada o Departamento Nacional de Infra-estrutura de Transportes – DNIT- deu entrada com o EIA-Rima no Ibama). O importante aqui é mencionar que a BR-317 se articula com Manaus através do rio Purus, navegável oito meses por ano e onde trafegam embarcações com capacidade de 200 toneladas.
Trata-se de um sistema multimodal que ligará o Atlântico ao Pacífico, a partir da Venezuela, passando por Roraima (BR-174), Amazonas (BR-319) e rio Purus, até o início da BR-317. A parte mais problemática é a da BR-319, que é praticamente inexistente entre Manaus e Humaitá. De fato, existem propostas para a construção de uma grande ferrovia internacional desde o Caribe (Venezuela), cujo traçado seria paralelo aos das rodovias mencionadas e que entroncaria com a Ferronorte em Porto Velho (RO).
Assim, apesar das pérfidas campanhas ambientalistas contra o projeto, a Estrada do Pacífico – ou Carretera Interoceanica Sur, já é uma realidade e um exemplo muito bem sucedido da cooperação entre o Brasil e um de seus vizinhos para a integração sul-americana por meio de uma obra de infra-estrutura que, certamente, promoverá o desenvolvimento socioeconômico das suas populações.
Notas:
[1] Estrada gera grande expectativa de negócios no Peru, Valor, 28/08/2008



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